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Alimento orgânico, preço baixo e fruto de teimosia

Horticultor trabalha sem ter segurança jurídica

De vigilante a horticultor. Vamos conhecer agora a história de um trabalhador da terra, que teve tudo pra desistir, mas que acreditou no próprio esforço e hoje tem uma horta produtiva, dentro da área urbana de Rio Branco. A cada dia, ele aumenta a clientela, por dois aspectos importantes que oferece: verduras orgânicas e a preços populares.

O projeto se desenvolve no Km 1 da estrada de Porto Acre, próximo ao Café Contri, região urbana de Rio Branco, no bairro Alto Alegre. Nossa equipe chegou na hora em que mais um novo cliente comprava. O ex-atleta Floriano Sebastião da Costa perguntou para um amigo onde poderia encontrar verduras orgânicas, e não foi difícil de achar a horta do Evandro. “A importância é que ela vai mais pura, mais limpa, vai com garantia da gente comer e não dá problema no nosso organismo”, afirma Floriano.

Evandro Rocha não para um minuto durante o dia. Começa a trabalhar às 6 da manhã e só encerra as atividades às 6 da tarde. O segredo, segundo ele, para garantir que os produtos orgânicos que produz, serão de qualidade.

“Eu tenho que entender que a planta tá precisando. Se ela não está nutrida, toda praga vai chegar e dominar ela. É natural que se você não cuida, vai adoecer, então eu vejo isso nas minhas verduras. Eu tenho que cuidar pra que as pragas não cheguem nela”, afirma.

Além do fato de a verdura estar livre de agrotóxicos, os produtos cuidados por Evandro como alface, couve, cheiro verde, pimenta, e maxixe também contam com outra vantagem: o preço. Cada pé de alface custa apenas R$ 1, ou seja, uma sacola vem dois pés, o cliente paga R$ 2. O maço de cheiro verde também custa R$ 1. Cinco folhas de couve custam R$ 5.

Quem gosta da verdura sem agrotóxico e do preço bom é o comerciante Reginaldo Aquino. Ele trabalha restaurante que revende marmitex e todo dia sai com sacolas cheias pra garantir a salada orgânica da clientela. “A horta aqui é maravilhosa, sem contar que o preço também é bem em conta”, afirma.

Alface sem dúvida nenhuma é o grande carro chefe do Evandro. Agora ele está apostando na alface americana. Diversificando pra atender a clientela. “Com certeza, tenho que fazer o que os clientes pedem. Tô apostando nela por que tá tendo muito pedido e eu tô fazendo de tudo pra satisfazer o cliente”, explica.
Nesse passo de atender a demanda, ele está plantando rúcula. Já tentou uma vez, não deu certo, mas os pedidos aumentaram e ele acredita que desta vez, vai ter mais saída.

“É um tipo de verdura que não é muito reconhecida, mas o povo de fora adora. Agora o povo daqui, mas tô apostando de novo, como a alface americana e tá dando tudo certo”, disse.

Na persistência, Evandro criou o próprio viveiro. Tudo adaptado, com canos, uma estrutura montada em cima de um galinheiro e tocado por um motor de máquina de lavar.

Tudo começou há três anos, quando Evandro desistiu da carreira de vigilante para mexer com a terra. Ele foi inserido no projeto Hortas Comunitárias da prefeitura. Começou em comunidade, como era a essência da proposta, mas as outras duas pessoas que trabalhavam com ele, desistiram. O local, que antes servia como lixão, foi aos poucos se transformando em terra produtiva e veio mudando o cenário no bairro.

“Era muito matagal aqui, resto de entulho, osso, então a gente pegou essa área, eu acreditei nisso e comecei a desenvolver meu plano que era esse, de cuidar das alfaces, que é uma coisa que é tudo pra mim”, explica.

No primeiro ano, a horta ocupava cerca de 20% do espaço cedido pela prefeitura, mas agora, o plantio preenche mais de 60% da área. Enquanto muitos não acreditavam que daria certo, ele dizia que tinha fé além da conta.

“Eu só tinha vontade, não tinha experiência, mas fui, por que é uma coisa que eu acredito, por que quando é uma coisa que você tem vontade, você já tem a metade, então eu apostei nisso aí, batendo cabeça um ano, até que cheguei hoje onde eu tô que eu acredito que é um ponto que já tô num nível bom, em questão de conhecimento.

O projeto do Evandro continua. Ele quer produzir o máximo de alimentos possível dentro do espaço que ainda tem. Ele já iniciou com plantio de alguns frutos e outros legumes e vai além. “Aqui pra nossa região o que eu puder plantar e colher, eu vou ter”, finaliza.

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