Falta de acessibilidade no Novo Mercado Velho

Cadeirante diz que encontra muitos obstáculos no dia a dia

A reforma do Novo Mercado Velho, realizada em 2002, deixou o local revitalizado. No espaço, há lojas que comercializam produtos regionais, religiosos e alimentos, mas a falta de acesso para cadeirantes passou despercebido por muita gente, mas não pelo psicólogo Jefferson Linhares.

“Eu já andei pelo mercado depois da reforma e não encontrei nenhuma dificuldade, mas para um cadeirante já vai ser mais complicado, se não tiver ninguém para dar um auxílio ele não vai conseguir entrar, a acessibilidade hoje em dia é muito difícil, as pessoas dizem que estão trabalhando para resolver os problemas, mas adéquam somente alguns lugares e outros, como o novo mercado velho, que é muito importante, os cadeirantes não têm acesso”, disse o psicólogo.

São quatro entradas de acesso ao prédio revitalizado e nenhuma delas possui rampa para cadeirantes. Wanderley Silva e Raimundo Rocha são amigos e gostam de frequentar o mercado, mas sabem que para conseguir entrar no prédio é preciso fazer algum tipo de sacrifício.

“Eu que ainda tenho mobilidade consigo subir, mas outros cadeirantes com cadeiras motorizadas não sobem sozinhos, é difícil o acesso, corre o risco de um cadeirante tentar subir e acabar caindo”, falou o aposentado, Wanderley Silva.

Ultrapassada a barreira da falta de acesso, os dois amigos conseguem, enfim, passear pelos corredores do mercado, mas essa dificuldade é rotina elas ruas e calçadas de Rio Branco.

Ademar Filgueira tem uma loja no espaço há mais de 30 anos e ele diz que já presenciou muitas pessoas passando pela mesma dificuldade que seu Wanderley e seu Raimundo Rocha, mas para ele essa barreira é muito fácil de ser derrubada.

“Às vezes a pessoa quer vir no Novo Mercado Velho, mas não pode, pois falta acessibilidade. Eu já presenciei várias vezes pessoas com dificuldade para entrar e para resolver, se o governo, prefeitura quiser é só fazer uma rampa e estava resolvido”, declarou o comerciante, Ademar Filgueira.

Enquanto esses investimentos não chegam, o que fica é a esperança de um dia a acessibilidade deixar de ser, apenas, mais uma palavra bonita e da moda e se transforme na tão sonhada realidade de quem realmente precisa dela.

“Não é só no mercado o problema de acesso para cadeirantes, no restante da cidade encontramos muito obstáculos no nosso dia a dia”, ressaltou Wanderley.

“Hoje em dia se fala muito de inclusão, mas nós sabemos que na prática essa inclusão está muito longe de acontecer”, concluiu Raimundo.