Casos de pessoas com vírus do HIV não param de crescer

Realidade do Acre preocupa as autoridades

Os dados do boletim epidemiológico HIV/AIDS do Ministério da Saúde publicado anualmente apresenta a atual situação dos casos de AIDS em todo país. De 1980 a junho do ano passado, foram diagnosticados, no Brasil, 982.129 casos de AIDS. Desde 2014 o país tem uma média de 40 mil novos casos por ano. Desde o início da epidemia de AIDS no país, em 1980, que 327.655 pessoas morreram por causa do vírus do HIV.

No Acre os números também são alarmantes. Nos últimos anos, os casos de pessoas portadoras do vírus do HIV e que desenvolveram a doença não param de crescer. E o que também preocupa são as pessoas que tem o vírus, mas que não desenvolveram a doença e, por falta de exame, nem sabem o risco que correm.

No relatório consta que desde o início da epidemia do HIV, em 1980, o Acre é o estado com a menor taxa de detecção de AIDS por 100 mil habitantes, mas esse valor se torna irrelevante quando o relatório aponta o Acre junto ao do Rio Grande do Sul como os únicos estados que registraram aumento no coeficiente de mortalidade para cada 100 mil habitantes.

De 2015 até 20 de maio deste ano, 985 casos foram registrados. A maioria em Rio Branco tem, oficialmente, 672 pessoas portadoras do vírus e que desenvolveram a doença. Na sequência, Sena Madureira com 71 casos e Cruzeiro do Sul com 47.

A incidência da doença analisada por referência de sexo e opção sexual também é um dado que, agora, passou a surpreender. Entre os homens, 57,8% dos contaminados pelo vírus são heterossexuais e entre as mulheres esse índice é ainda maior, 97%. Uma realidade que choca até mesmo quem trabalha nessa área.

Maria do Carmo Guimarães é gerente da divisão de infecções sexualmente transmissíveis no Acre, para ela a atual realidade do estado preocupa e muito as autoridades. “Só esse ano de 2019 nós já tivemos 71 casos, levando em consideração o tamanho do nosso Estado e a população, é um número considerado”, disse.

Maria do Carmo acompanha, mês a mês, o surgimento de novos casos e acredita que o número real de doentes pode ser até o dobro do que existe registrado no sistema. É que para ela, muitas dessas pessoas nem devem saber que estão contaminadas.

Sem o tratamento adequado, a possibilidade de uma melhor qualidade de vida é quase inviável. Hoje, quem realiza o acompanhamento de forma adequada, toma regularmente a medicação e se mantém consciente do risco em que vive, tem boas chances de se enquadrar em um grupo de portadores do vírus considerados indetectáveis e intransmissíveis, onde a vida do então doente é praticamente normal.

“Hoje se o paciente descobrir que é positivo, que tem o vírus HIV ele fizer o tratamento corretamente, usando os antirretrovirais, a cada seis meses ele realiza um exame complementar que é carga viral, esse exame vai mostrar se o paciente está indetectável e se ele estiver é a mesma coisa que está intransmissível, um paciente que vai ter uma vida saudável, uma qualidade de vida e os estudos científicos já comprovam isso no mundo”, falou.

Os números do relatório são reais e preocupantes, mas no dia a dia o que as pessoas tem mesmo percebido é que as campanhas que eram intensas e massificadas parecem ter sido esquecidas. O que, teoricamente, pode ter um reflexo direto no aumento do número de pessoas contaminadas em todo país.

“Tem muita gente que poder ter, mas tem vergonha de ir ao posto de saúde fazer tratamento e se tiver a campanha vai orientar, a pessoa vai ficar em alerta e vai saber que tem tratamento”, ressaltou a cabeleireira, Maísa Silva.

“Isso é o maior perigo que acontece na vida do ser humano, esquecer de se preservar de algo tão importante, a vida, se proteger da AIDS”, concluiu o mecânico, Messias Bastos.