A história de um casal que superou as dificuldades

Luiz e dona Maria acreditam que todo dia é para ser especial

A casa é simples e pequena, mas cheia de bons sentimentos. O casal Luiz e dona Maria vivem nesse lar há dois anos. Tudo muito normal se não fosse o fato dos dois não enxergarem absolutamente nada.

Luiz nasceu sem a visão, já Maria ficou cega aos seis meses de vida depois de contrair sarampo. Eles se conheceram no CADV, que é o centro de atendimento ao deficiente visual e ela confessou que foi quem primeiro começou a paquera.

“Eu passei por ele e pensei “hum, esse aqui não é meu esposo não” e passei direito, depois começamos a conversar e ele perguntou se eu aceitava namorar com ele e os dois solteiros, conversa vai, conversa vem e teve o primeiro beijo”, conta a aposentada, Maria Ediane.

Os desafios do casal foram muitos. Eles precisaram se adaptar a nova vida. Cinco meses de namoro até o momento que decidiram se casar.

“Nós conquistamos os nossos direitos e conseguimos mostrar tanto para os nossos familiares quanto para a sociedade que somos capazes de ir além do que se possa imaginar. Na época que começamos a morar juntos ela não sabia cozinhar, nem lavar e ao poucos eu fui ensinando e ela foi se habituando”, disse o aposentado, Luiz Silva.

A rotina dos afazeres domésticos é como de qualquer outra casa. Eles dividem as responsabilidades. A falta de visão parece não ser mais uma barreira. O casal une forças para superar, sempre juntos, todas as dificuldades e limitações que a vida oferece. E não pense você que eles se deixam abalar com isso.

“O que importa é o que vem de dentro para fora e não de fora para dentro, a visão que nós temos é do interior da pessoa, é aquilo que a pessoa demonstra ser, o caráter, o carinho, companheirismo, compreensão”, ressaltou Luiz.

No dia dos namorados, nada de comemorações especiais. Luiz e dona Maria acreditam que todo dia é para ser especial. Nos pequenos gestos, no sorriso aberto e nas mãos entrelaçadas, a gente percebe que, apesar de ser uma frase meio batida ou até mesmo fora de moda, o amor, definitivamente, é cego.

“O Luiz é tudo para mim, tem me ajudado muito, eu amo muito ele e ele sabe disso”, conclui dona Maria.