Morre Dom Moacy Grechi em Porto Velho nessa segunda

Sacerdote foi uma das figuras mais importantes da Igreja Católica no Acre

Morreu no início da noite dessa segunda-feira (18), aos 83 anos, o Arcebispo Emérito da Arquidiocese de Porto Velho, Dom Moacyr Grechi. Dom Moacyr estava internado no Hospital nove de julho, em Porto Velho, onde se tratava de uma infecção desde a última sexta-feira.

A confirmação da morte de Dom Moacyr foi feita pela própria Arquidiocese de Porto Velho no início da noite de ontem. No comunicado, a Igreja Católica confirmou que o Arcebispo Emérito teve duas paradas cardíacas durante a tarde e chegou a ser reanimado na unidade de terapia intensiva do Hospital nove de julho.

A arquidiocese confirmou ainda que Dom Moacyr estava reclamando nos últimos dias de dores abdominais. Dom Moacyr Grechi foi uma das figuras mais importantes da história da Igreja Católica no Estado do Acre.

Nascido em Araranguá, Santa Catarina, em 19 de janeiro de 1936, Dom Moacyr Grechi ingressou no seminário da Ordem dos Servos de Maria, em Santa Catarina em 1949, com apenas sete anos. Em 1961, aos 25 anos, foi ordenado sacerdote.

Em 17 de julho de 1972, Dom Moacyr foi escolhido para ser bispo da Diocese de Rio Branco pelo papa Paulo VI e foi aí que a história sacerdotal do bispo se confundiu com a forte atuação nos movimentos sociais e luta pelos mais pobres.

Na capital Rio Branco, Dom Moacyr foi um dos defensores e maiores divulgadores da teologia da libertação, corrente teológica-filosófica de parte da igreja, que defendia um cristianismo mais voltado para a defesa dos pobres e do combate à injustiça social. Foi nesta época que Dom Moacyr teve contato estreito com sindicalistas como Chico Mendes e Marina Silva.

Dom Moacyr foi um dos criadores do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e da Comissão Pastoral da Terra, entidade que presidiu por oito anos. O então bispo de Rio Branco também teve papel fundamental na defesa dos indígenas, seringueiros e trabalhadores rurais no estado e na luta pela condenação dos assassinos de Chico Mendes. Na militância que mantinha na defesa dos direitos humanos, atuou como testemunha contra Hildebrando Paschoal.

Em 29 de julho de 1998, foi nomeado Arcebispo de Porto Velho, cargo que ocupou até março de 2002.