Sesacre descarta possibilidade de surto de meningite

Vacinas estão disponíveis para prevenção da doença

O crescimento no número de casos de meningite no acre deixa o Governo do Estado em alerta. Só neste mês de junho, duas pessoas deram entrada nas unidades de saúde com a doença. Um terceiro caso, de um paciente de boca do acre, de 26 anos, com suspeita da doença e que teve morte encefálica decretada foi descartado.

A Secretaria de Saúde começou a monitorar a situação após a informação de que um soldado boliviano, situado na Vila Evo Morales, que faz fronteira com Plácido de Castro, ter sido diagnosticado com meningite.

“O caso que veio do município de Senador Guiomard foi confirmado como meningite bacteriana pela bacterioscopia, exame realizado do licor desse paciente, entretanto, estamos aguardando o resultado da cultura do lacen para que a gente possa identificar, de fato, qual a bactéria que causou a meningite desse paciente que hoje está em tratamento e acompanhamento na UTI do HUERB. O caso de Feijó a mulher deu entrada no sábado no Pronto Socorro e já foram feitos alguns exames, principalmente, o exame de licor que fecha o diagnóstico de meningite, a análise desse primeiro exame deu sugestivo para meningite bacteriana e estamos aguardando a realização de outros exames para que possamos fechar o caso”, disse a Coord. de Vigilância da Área Técnica de Meningites da Sesacre, Helena Catão.

Segundo o último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Saúde do Estado nesta segunda-feira, de janeiro até agora foram contabilizados 29 casos suspeitos da doença, sete foram confirmados e houve três mortes. Em igual período do ano passado foram 31 casos notificados/suspeitos, 12 confirmados e houve cinco mortes.

Em todo o ano de 2018 foram notificados 62 casos, com 29 confirmados e seis mortes. Por enquanto, a Sesacre descarta um surto de meningite, mas o risco ocorre em virtude da doença ser de fácil contágio, podendo ser transmitida pela tosse, espirro, beijo ou até compartilhando itens pessoas com um paciente contaminado.

“O que a gente faz para ver se está tendo surto é verificar se está tendo um número muito superior ao que era esperado para o período, então, nós temos dados de 2018 que até junho de 2018 nós tivemos notificados 31 casos, esse ano nós estamos com 29, estamos mantendo a média, não tem uma elevação no número de casos de meningite, o que aconteceu é que durante essa semana pelo surgimento do caso de Plácido de Castro e em Senador Guiomard que culminou em ser em uma única semana chamou a atenção”, explicou Helena.

Os casos mais comuns da doença ocorrem por bactérias ou vírus. Entre os sintomas estão febre alta, forte dor de cabeça, pescoço rígido, náusea e vômitos. Na rede pública de saúde, há vacinas disponíveis, principalmente para as crianças, para se prevenir.

“A forma mais eficaz seria a vacinação, então, nós temos vacinas disponíveis na atenção básica, principalmente, para as crianças, nós fazemos o apelo para que os pais levem as suas crianças para deixar a sua situação vacinal em dia, assim também está disponível uma dose para os adolescentes”, falou a coordenadora.

Em relação a capital, o Secretário Municipal de Saúde, Oteniel Almeida, informou que há cerca de 7 anos, a cobertura vacinal vem sendo abaixo da expectativa, isso porque os pais, ou responsáveis, não têm levado os filhos para vacinar, em parte, o secretário atribui esse fator as Fake News.

“Depois de 2015 a situação começou a se agravar, porque existem muitas pessoas que se escondem por trás das redes sociais, covardes defendendo a campanha antivacina, mas é a vacina que vai prevenir doenças. E eu tenho reforçado isso, porque essa história de fake News tem atrapalhado o serviço público, tem atrapalhado a questão da saúde pública no Brasil”, ressaltou.

Vale ressaltar que como o Acre é um Estado com duas fronteiras abertas para outros países (Peru e Bolívia), isso facilita a entrada de doenças no estado. “Todos nós responsáveis temos que garantir que as vacinas estejam disponíveis nos posto e a gente está garantindo, toda a nossa rede está abastecida. Pedimos ajuda da população para que possa fazer as vacinas, porque essas doenças estão realmente voltando, tinham doenças que já estavam erradicas e estão voltando”, concluiu o secretário.