Pai reecontra filho abandonado pela mãe em Brasiléia

Lebrun veio da Guiana Francesa buscar o menino

Lebrun Ednord mora na Guiana Francesa desde 2011, quando fugiu do Haiti, após o país ser destruído por um terremoto. E foi em terras Guianas que ele se casou com Jessica Altidor e nasceu Abel, que em Setembro vai completar 3 anos de idade. Depois de separados, a mãe da criança decidiu que queria ir para os Estados Unidos. A dificuldade para entrar em terras americanas, levou mãe e filho, para o município de Brasiléia, no Acre, na região de fronteira com a Bolívia.

Sem condições de oferecer os cuidados básicos, os dois estavam em situação de risco. Viviam nas ruas. A cena chamou atenção dos moradores da cidade que decidiram denunciar o caso. “Segundo o que chegou pra gente é que a criança estava numa situação de vulnerabilidade, estava andando descalço, suja e que a mãe daquela criança não estava cuidando devidamente dela”, disse Jackson de Souza Januário, policial militar que recebeu a primeira denúncia.

Dias depois, novas denúncias surgiram. Mesmo se tratando de estrangeiros, os policiais militares decidiram, então, que era hora de comunicar o caso ao Conselho Tutelar.

Com  a saúde mental debilitada e sem condições de cuidar do próprio filho, em abril deste ano, o Conselho Tutelar entendeu que era melhor retirar, de forma temporária, a criança da guarda da mãe. Mediante autorização judicial, o menor ficou em um abrigo, sob responsabilidade do Estado. Só que o que ninguém imaginava, era que nesse intervalo, a mãe do menino iria fugir para o Equador, deixando o filho, sozinho, em território brasileiro.

“Começamos a fazer todo um percurso na cidade, porque até então as meninas do abrigo não sabiam nem o nome dele, só o chamavam por Juninho. Chegando na pousada na qual ela estava, o rapaz nos mandou o documento, tudo que dizia respeito a ela, foi quando descobrimos que a criança se chamava Abel e começamos todo esse procedimento. No meio dos documentos tinha um telefone que dizia ser um primo, que contou toda a história e pedi que me desse outro contato do pai ou de quem que fosse”, explicou Joana Bandeira, Conselheira Tutelar.

Não demorou muito para que o pai da criança, que ainda mora na Guiana Francesa, chegasse à Rio Branco.

Já na capital do Acre, ele seguiu viagem até o município de Brasiléia, para reencontrar o filho que não via há mais de um ano e que havia sido abandonado pela mãe. “Não vejo a hora de reencontrar meu filho” disse Lebrun.

Superados os mais de 240 quilômetros de estrada, ele então chegou a Brasiléia. A comunicação com o haitiano é bem difícil, afinal, ele não fala português, e a equipe de conselheiros não entende nada de francês, nem de crioulo língua de quase toda a população do Haiti. Mas essa barreira também foi ultrapassada e depois de apresentar os documentos que comprovaram a paternidade, o termo de responsabilidade para a entrega da criança foi emitido.

Ainda bastante assustado por tudo o que passou nos últimos meses, Abel demorou um pouco para reconhecer o próprio pai. Lebrun, por meio de uma chamada de vídeo, ligou para a mãe da criança, no Equador. A mulher chorou ao rever o filho.

Juntos, pai e filho seguiram para a capital do Acre, onde foram acolhidos pela secretaria de Assistência Social. Maria da Luz Maia, gestora de políticas públicas do Estado,  foi quem fez o contato com o pai e intermediou todo o processo de reencontro entre os dois. “Nós cumprimos mais um papel, porque é só mais uma das nossas ações que vão continuar”, garantiu ela.

A partir de agora, Abel se prepara para uma nova vida. Ao lado do pai, no país onde ele nasceu e, provavelmente, de onde nunca deveria ter saído. “A partir de agora Abel recomeça a vida com uma nova família”.