Pesquisa aponta Capital Acreana como uma das dez piores na rede de esgoto

Moradores reclamam de esgoto a céu aberto na Habitasa

O esgoto a céu aberto denuncia o abandono desse local, situado na periferia de Rio Branco. Os moradores convivem com essa situação desde que chegaram aqui, há 30 anos.

Quando chove, o esgoto transborda e chega até as casas, quando o dia é de sol, o odor é o principal problema, além disso, o risco de doenças é praticamente inevitável.

“Eu não saio nem de casa porque eu já fico me sentindo ruim, começo a tossir, e o que tem por aqui são muitas baratas, muitos ratos que sobem pelo esgoto”, disse a aposentada, Sebastiana Queiroz de Souza.

Os moradores recorrem todos os anos ao poder público em busca de providências, mas as tentativas até o momento foram frustradas. “Sempre foi esse esgoto a céu aberto, nós já procuramos a prefeitura, o depasa, mas eles ficam só na promessa e até hoje nada foi feito”, falou a técnica em enfermagem, Thaís Ferreira de Moraes.

Cenários como esses são comuns, recente estudo do Instituto Trata Brasil aponta que a Capital Acreana tem somente 21,65% da sua população com acesso a rede coletora de esgoto. Os números colocam Rio Branco como uma das dez piores cidades do Brasil neste setor.

A ong fez esse levantamento com base nos dados do ministério do desenvolvimento regional, pelo sistema nacional de informações sobre saneamento tendo como base o ano de 2017.

Esses resultados apontam que o acre está longe de alcançar as metas estabelecidas pela organização das nações unidas, onu, que é "assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todas e todos até 2030".

No ranking das 100 maiores cidades do país com acesso ao saneamento básico, investimentos e arrecadação no setor, Rio Branco amarga a posição de número 93 quando o assunto é alcance dessas políticas públicas, Porto Velho, em Rondônia, ocupa o último lugar.

O diretor-presidente do departamento de saneamento do acre, Depasa, Zenil Chaves, confirma que faltam investimentos e a rede de esgoto está bem longe do ideal. O gestor revelou que estudos começaram a ser realizados, mas melhorias só devem aparecer em longo prazo.

“Nosso esgoto está péssimo, pouco atendimento e começamos muitos projetos, temos muitos projetos para tratar sobre saneamento e em especial o esgoto, começou para mim de forma errada, começou de cima para baixo, da casa para ete e a ete não foi construída e isso ficou em meio de viagem mais de 150 de elevatórias que nem se quer chegaram a funcionar, algumas delas foram depredadas por vândalos, tiraram bombas, quadros elétricos...“, explicou o diretor-presidente do Depasa, Zenil Chaves.

Se em Rio Branco está com essa média, no interior o caso é ainda mais grave. Quanto a rede de água, o Instituto Trata Brasil revela que a capital atende somente 54,93% da população. Os investimentos no setor são mais em insumos e pessoal para trabalhar.

Chaves explica que o programa de pavimentação ruas do povo levou água para mais pessoas, mas esses consumidores não estão cadastrados no sistema. Por este motivo, esse número não está dentro da realidade.

Ainda assim, o gestor reconhece que há obras inacabadas e o desperdício acaba gerando problemas para os cofres públicos, o que também reflete na população que não recebe água em casa.

“Nós estamos atendendo pelo menos 88% da população de Rio Branco com água, agora nós estamos recebendo apenas 40% dessas faturas porque a maioria deles não está no cadastro, mas já está em andamento, estamos contratando uma empresa para fazer esse cadastramento para que o usuário que está recebendo nossa água tratada possa pagar até para nos ajudar para ter mais estrutura para melhorar o sistema de abastecimento”, ressaltou o diretor.

O estudo evidencia que, ao longo dos anos, o saneamento básico não foi prioridade para os governos do estado. Enquanto isso, a população recebe um serviço deficiente que impacta, inclusive, na saúde pública.