CABECALHO-GAZETA-ESPORTIVA

Quinta, 20 Julho 2017 13:41

Há exatos 20 anos, seleção universitária da Ufac fazia a melhor campanha na história do JUBS.

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200717-esporte-lembrancasdoesporte-arquivopessoalO principal símbolo dessa campanha foi o pivô Marquinhos Bombeiro (cunhado do Rei Artur). Ele foi o artilheiro do JUBS com improváveis 24 gols

Em 1997, os Jogos Universitários Brasileiros (JUBS), eram realizados na ilha da fantasia: Florianópolis (SC). E, pela primeira vez na história, a Universidade Federal do Acre (Ufac) conseguiria o melhor resultado nos esportes coletivos e no atletismo, até então.

Vivi intensamente cada momento. Era calouro do Curso de Educação Física da Ufac e vinha de quatro temporadas seguidas como titular do Rio Branco FC. Primeiro fui convocado para defender o time do meu curso. Fomos campeões no Futsal e fui escolhido o melhor ala. Garantindo a convocação para a seleção universitária do Acre.

O técnico era o experiente professor Wilson Cana Verde. Pela primeira vez, o selecionado da Ufac reunia nomes de peso do futsal acriano como Clio, Marquinhos Bombeiro, Deise Leite, Manfrine, Senildo, Anderson e Gesiel.

A militante do PV e professora, Shirley Torres (irmã do nosso colega Sidney Torres) foi escolhida a chefe da delegação. Viajamos de ônibus fretado do Acre até Florianópolis, numa jornada extremamente cansativa, que durou cinco dias.

Era julho e fazia muito frio em Santa Catarina. Mas, como a maioria da delegação não conhecia o mar, ao chegarmos na ilha fomos logo para a praia tomar banho e brincar de bola na areia, o que chamou a atenção dos moradores do lugar.
E perguntavam: "De onde são esses malucos?". Alguém respondeu: "do Acre". "Só poderia ser índio mesmo", disse o outro.

Como o Acre não tinha tradição (a última colocação havia sido um 26º lugar) sempre era tido como saco de pancadas. Ficamos em um grupo que era pedreira. Com seleções tradicionais como Ceará, Brasília (atual campeã) e Alagoas.

Nossa campanha surpreendeu até mesmo a imprensa local. Na estreia, estávamos vencendo Alagoas e cedemos o empate no fim por 6 a 6.
Na sequência, um jogaço contra o Ceará. Depois de vencer o primeiro tempo por 4 a 3, perdemos por um placar apertado de 5 a 4. Técnica nós tínhamos, mas a viagem de cinco dias desgastou os atletas.

No último jogo da fase de grupos, vencíamos os favoritos, Brasília, por 3 a 2. Mas cansamos no fim e perdemos por um placar de 6 a 5.

Mesmo assim nos classificamos para disputar de 15º a 9º lugar. Aí nos superamos! Vencemos a tradicional seleção de Goiás e depois o Mato Grosso. E terminamos a competição com um inédito 9º lugar. O campeão foi Santa Catarina, que até hoje tem o melhor futsal do país.

O principal símbolo dessa campanha foi o pivô Marquinhos Bombeiro (cunhado do Rei Artur). Ele foi o artilheiro do JUBS com improváveis 24 gols e garantiu a inédita convocação para a seleção brasileira universitária.

Como a competição internacional seria realizada na Itália, o comandante dos Bombeiros, há época, vetou a ida de Marquinhos para a seleção.

Para finalizar, não posso esquecer-me de mencionar o vôlei (quando tinha nível e categoria), que conseguiu seu melhor resultado: um terceiro lugar. E o Atletismo, que também trouxe medalha.

Quando lembro essas histórias vitoriosas, representando nossa bandeira Brasil a fora, me lembro desses meninos mimados e melindrosos de hoje que nunca disputaram nada expressivo na vida e querem ser os donos da bola na pelada. Tão Acre!

Senildo Melo é repórter e cronista esportivo. Assina a coluna Gazeta Esportiva (no site AGazeta.Net).

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