CABECALHO-GAZETA-ESPORTIVA

Quinta, 17 Agosto 2017 16:57

Acesso inédito do Atlético (AC) começou a ser planejado em 2009 com investimento na base.

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170817-esporte-gazetaesportiva-senildomeloO acesso é parte de um longo processo de decisões internas e exclusivas do clube, sem nenhum apoio do poder público

O primeiro acesso de um clube acreano à Série C foi histórico e veio com um empate contra o São José (RS) por 1 a 1, no Florestão. Mas, a construção do time do Atlético (AC) começou muito antes, ainda em 2009.

Foi o ano em que o técnico do time, Álvaro Miguéis, começou um projeto de base no clube que revelou boa parte dos jogadores presentes no jogo decisivo do acesso. Entre eles, o meia Polaco, destaque do time.

“Foi um projeto que eu comecei no Juventus-AC, passei pelo Rio Branco e cheguei ao Atlético-AC, clube do meu coração, em que meu pai foi dirigente. Dali saíram muitos jogadores realmente”, diz Polaco.

Polaco, meia, autor de quatro gols na Série C, é o principal deles. Após jogar a Copinha de 2010, pelo Rio Branco, e a de 2011, pelo Atlético-AC, ele chamou a atenção do Santos, que o contratou para jogar na base.

No time da Vila Belmiro, Polaco chegou a treinar com o hoje astro Neymar. Não se firmou por lá, mas depois rodou por outros clubes até voltar ao Acre em grande estilo. Mas, ele não era o único.

No projeto, estavam também os volantes Leandro, titular do time atual, Olliver e Tragodara. Também estavam os gêmeos Joel e Mael e o zagueiro Francisco. Todos vinculados ao clube, fizeram parte do grupo que conquistou o acesso no domingo (13) assim como o meia Fellype, que é formado em Administração e não atuou nos últimos jogos porque não foi liberado do serviço no setor administrativo da escola em que trabalha.

“Estudar era uma exigência para que o jogador fizesse parte do projeto. Formamos o cidadão. O jogador é consequência do trabalho”, explica Álvaro, que chegou a ficar três anos afastado do futebol profissional para voltar em 2016.

No primeiro ano, bateu na trave do acesso após fazer grande campanha e perder para o Moto Club nas quartas de final, dentro do Florestão. Mas, na segunda chance, a classificação foi alcançada.

Uma equipe com DNA ofensivo e que teve de quebrar um tabu: de que no Acre não havia jogadores responsáveis para formar uma equipe de futebol profissional. Mesmo com um dos menores orçamentos da Série D (cerca de R$ 70 mil), com humildade, planejamento e determinação, o Atlético (AC) provou que o sonho era possível.

O clube não teve apoio das autoridades acrianas, que ficaram indiferentes, mesmo diante do fato de o clube do Segundo Distrito estar levando a bandeira do Estado.
Mais um capítulo bonito de uma história escrita no Brasil Real, longe dos holofotes e milhões que cercam a Série A do Brasileirão. Sobre as chances de título: a partir de agora, o que vier é lucro.

Senildo Melo é repórter e cronista esportivo. Assina a coluna Gazeta Esportiva (no site AGazeta.Net).

Foto: Senildo Melo

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