02 Novembro 2017 Written by 

A oposição precisa ter nos cálculos políticos a perspectiva de poder. Alguns asseclas agem como se nunca fosse assumir o governo um dia. Empreendimentos S/A em que há participação governo deveriam ser preservados de contendas.

Fim...

A “Questão Salmonela” foi resolvida? Ao que tudo indica, sim. Fábio Vaz, da Peixes da Amazônia, e Luziel Carvalho, do Ministério da Agricultura e Pecuária no Acre, assinaram uma nota em que formalizam o fim do Regime Especial de Fiscalização (REFIS) a que o Complexo de Piscicultura estava submetido desde julho desse ano quando foi identificada presença da bactéria em um lote industrializado no frigorífico.

... da novela

O drama começou em julho desse ano (há quase quatro meses) quando técnicos do Ministério da Agricultura encontraram presença da bactéria salmonela em um lote do pescado industrializado no frigorífico. O Governo do Acre se apressou em dizer que houve vazamento seletivo de informação; que houve uso político do fato etc. etc.

Bom...

Chororôs à parte, o fato é que os exames comprovaram que havia mesmo o problema. Orientações foram repassadas à direção da empresa. As mudanças foram executadas e a comercialização foi retomada.

Outra coisa

É preciso mais prudência nessa questão de misturar política com negócios em que o poder público tem participação. O motivo é simples: quem quer que assuma o Governo do Acre, naturalmente, assume também a Peixes da Amazônia.

Nominando

Dando nomes aos bois. Caso Marcus Alexandre vença as eleições, a continuidade do empreendimento é plena. Caso Gladson Cameli assuma, alguns protagonistas podem assumir a dianteira do empreendimento: gente já velha conhecida da política local e que são, atualmente, envolvidos com piscicultura.

Perspectiva

A oposição precisa ter nos cálculos políticos a perspectiva de poder. Alguns asseclas da atual oposição agem como se nunca fosse assumir o governo um dia. Quem sabe? Nesse raciocínio, empreendimentos S/A em que há participação do Governo do Acre deveriam ser preservados dessa contenda.

Condicional

Mas, “deveriam” é um verbo que está no futuro do pretérito. Portanto, condicional. E a condição é “se... a política miúda não estivesse no meio”.

Uma coisa é uma coisa

Uma coisa é a politicagem. Outra é a crítica pontuada como a que é formulada por alguns pesquisadores da Ufac. Estes são categóricos em afirmar que os últimos empreendimentos executados pelo Governo do Acre são equivocados.

Fato

O problema da falta de capital de giro na Peixes da Amazônia já não é mais segredo para ninguém. Aliás, nesse aspecto, o Governo do Acre pecou no mesma fraqueza que a maioria das empresas da região: iniciou o empreendimento sem calcular “os custos de fazer a máquina girar”. Aí, o jeito é pelejar em tentar atrair capital para a empresa.

Cadê o dinheiro?

O complexo de Piscicultura, até o momento, exigiu R$ 70 milhões de investimentos. E a estimativa é de que outros R$ 35 milhões sejam investidos nos próximos três anos. Mas, com quais fontes? O Governo do Acre, por meio da Anac, detém 36,89% das cotas da empresa; 16 sócios privados teimaram em abocanhar 28,14% das cotas; um fundo de investimentos entrou com 27,08% e 7,89% restantes são de uma Central de Cooperativas (que, na prática, quer dizer Governo também).

Ampliar como?

Por isso é que o Governo se esbofeteia atrás de ampliar a escala de produção. Conseguir mais R$ 35 milhões em três anos não é coisa pouca. Ainda mais com os atuais investidores desconfiados da sustentabilidade do empreendimento e poucos dispostos a colocar a mão no bolso novamente pelo negócio. Nesse cenário, a informação sobre a “Questão Salmonela” foi uma bomba em julho deste ano. Mas, todos esperam que tenha sido realmente resolvida.

Infra

Sem volume de produção de pescado no Acre, sem ramais que deem condições de escoar a produção do peixe até a indústria, muitas vezes a empresa tem que comprar peixe de Rondônia para poder fazer o frigorífico funcionar e dar conta de atender aos pedidos dos cinco maiores clientes (Pão de Açúcar, Coco Bambu, Vivenda do Camarão, Skycheff e uma importadora peruana de Puerto Maldonado).

Exportação?

É preciso ter calma na hora de falar em “exportação” por parte da Peixes da Amazônia. Por enquanto, com regularidade, só há um cliente no exterior. Fica em Puerto Maldonado, que, antes do REFIS imposto pelo Ministério da Agricultura, importava 20 toneladas a cada dez dias. Os outros quatro maiores clientes estão no Brasil mesmo. O que não caracteriza “exportação”. É comercialização, simplesmente.

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