01 Janeiro 2018 Written by 

Há outro fator que permite o governador a falar o que falou na mensagem oficial. A manutenção do salário dos servidores cria uma blindagem natural em torno da economia regional, pouco dinâmica na esfera privada.

Economia Viva

Na mensagem oficial de fim de ano, o governador Tião Viana, mais uma vez, optou por falar de economia para transmitir uma imagem de esperança ao povo do Acre. Na narrativa oficial, a primeira lembrança é de que o Governo encerra 2017 “com os salários em dia, novos investimentos e novas conquistas”.

Economia Viva II

E continua. Na comparação fatal: “Estados mais ricos não conseguiram isso”. Só um louco desmentiria o governador. O que Tião Viana falou é verdade. Alguém duvida? Viana prossegue falando que o Estado tem “mais de um bilhão de reais para investir no Desenvolvimento Sustentável em 2018, além do Orçamento de 6,6 bilhões em 2018”. E que isso, segundo o governador, “é prova de uma economia viva”.

Vírgula

Esses pronunciamentos oficiais são sempre chatos e quase ninguém os assiste. Só os que são mais chatos ainda ou os que têm que assistir por dever de ofício. No geral, a fala do governador foi correta porque factual: os salários foram pagos e o “Estado organizado” a que ele se refere quer se contrapor à realidade desgraçada do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais.

Mas...

Não se deveria esperar outra coisa de um pronunciamento oficial do governador nessas mensagens de fim de ano. A coisa tem que ser curta (por causa do “tempo da tevê”). Fala-se sobre aquilo que mais se tenta preservar.

Ausências

Só para lembrar algumas ausências, não houve tempo e nem interesse de se falar que o IBGE apontou o Acre como o terceiro estado com maior número de pobres do país; que temos 13,1% de analfabetos; que na quarta-feira os policiais militares iniciam uma operação que deve limitar a presença de guarnições nas ruas por falta de condições mínimas de trabalho; que os funcionários da Saúde já iniciaram o não atendimento dos plantões por falta de pagamento. Tudo isso somado é Economia. E mostra que ela, assim também, está viva.

Blindagem

Há outro fator que permite o governador a falar o que falou na mensagem oficial. A manutenção do salário dos servidores (feita com o mínimo de responsabilidade pelo Governo do Estado) cria uma blindagem natural em torno da economia regional, pouco dinâmica na esfera privada. Sem estar sujeito às intempéries do mercado, a máquina estatal se auto-sustenta. Capengamente, mas vai mantendo alguma ordem.

Oposição

As lideranças da oposição têm que ouvir isso, caladinhas. Porque já tiveram a oportunidade de fazer essa tarefa de casa básica. Não se sabe até quando essa retórica oficial vai surtir efeito eleitoral.

2018

Que venha 2018! Que cada um se prepare da forma que puder: o cangaço vai ser feio.

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