11 Julho 2018 Written by 

A rigor, as propostas do Fórum de Debates sobre a Violência não trazem nenhuma novidade. Não há nada de inédito. Mas, isso não é motivo para desmerecer o debate. Ou o que está proposto ali já é executado?

Líder, lá

O líder do governo, Daniel Zen (PT), foi barrado na reunião dos partidos nanicos. Informado que os representantes dos partidos nanicos ensaiavam uma revolta, Zen tentou verificar in loco. Mas, foi barrado com a frase: “Você é líder lá, não apita nada aqui dentro”.

Fechado

Para mostrar a coesão do grupo dos três, todos os líderes afirmaram que a questão está fechada. São os três contra o mundo. Nenhum outro partido entra nessa chapinha e nenhum sai. Para quem acompanha a movimentação dos nanicos, nada é certo. Já anunciaram a saída da base do governo e o voo solo e continuaram debaixo da bota do governador.

Bruto

O vereador N. Lima (PSL) é conhecido como um Brucutu político. É dele o bordão: “A culpa é do PT”. Ao ser flagrado fanfarronando que nenhum deputado deveria ser reeleito e questionado sobre o filho dele que tenta a reeleição, saiu- se com essa: "Se ele não fez um bom mandato, também não merece ser reeleito". O deputado Wendy Lima não vai gostar de ler a coluna!

Privatizar

Proposta da OAB, apresentada no Fórum de Discussão sobre a violência surfa na onda do senso comum. Nada além. Os doutos propõem a privatização dos presídios no Acre. Ora, se o Acre já detém o triste título de Estado que mais encarcera jovens, imagine com os presídios privatizados. Vão diminuir tanto a idade dos apenados que vão ter que ir buscar na maternidade.

Vergonha

O Acre é líder em encarceramento de jovens com idades entre 18 a 29 anos e apresenta também a maior taxa de assassinato de jovens nessa faixa etária. É também o Estado que apresenta o maior índice de violência em crescimento do país. De 2015 para cá, a violência saltou de 30 para 80%.

Válido

Há, no entanto, aspectos positivos nessa discussão a respeito da violência provocada pela Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Aleac. São 52 propostas. Não há nada de espetacular: são 52 ideias que não mostram como podem ser executadas. São apenas expostas para a sociedade e para as autoridades do Executivo. Mas, a conjunto é válido porque ajuda a qualificar o debate sobre Segurança Pública para além das questões relacionadas à polícia.

Válido II

Primeiro é preciso ressaltar que, pela nominata que foi divulgada, o Fórum de Debates e Soluções para a Violência sob o Olhar da Vítima teve gente muito qualificada expondo o que pensa: representantes de toda esfera da ação pública, além de representantes da sociedade civil organizada.

E daí?

Há quem diga que esse debate está “contaminado” pelo ambiente eleitoral; que é apenas palanque etc etc etc. É óbvio que há interesse eleitoral. Qual é a dúvida. Mas, isso não tira a legitimidade do que foi apresentado no encontro. Se o Executivo tenta desqualificar o debate (ou não valorizá-lo como merece também por questões eleitorais), é pior para todos. Cabe à sociedade civil organizada fazer com o que foi debatido ali influencie na agenda pública.

De fato

De fato, as propostas não trazem nenhuma novidade. Não há nada de exclusivo. Mas, isso não é motivo para desmerecer o debate. Ou o que está proposto ali já é executado? É preciso valorizar esse tipo de iniciativa porque ajuda no exercício da cidadania. Isso ajuda, inclusive, a blindar o cidadão contra os discursos de soluções fáceis.

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