24 Novembro 2018 Written by 

A sede do Tribunal de Contas do Acre foi invadida na última quinta-feira (22). Foram furtados documentos sigilosos da Diretoria de Auditoria Financeira e Orçamentária da corte de contas. Nenhuma janela foi quebrada, nenhuma porta arrombada.

Clima de KGB

A sede do Tribunal de Contas do Acre foi invadida na última quinta-feira (22). Foram furtados documentos sigilosos da Diretoria de Auditoria Financeira e Orçamentária da corte de contas. Nenhuma janela foi quebrada, nenhuma porta arrombada. Quem entrou sabia o que queria e tinha acesso.

Quais documentos?

Quais documentos foram levados? Trata-se de um conjunto de dados solicitados pelos auditores do Tribunal de Contas à equipe do Governo do Acre. Em tempos de internet e fluxo de informação on-line, os auditores estranharam que o pedido tivesse sido atendido, mas apenas na forma impressa. Chegou ao Dafo, um conjunto de pastas e os velhos calhamaços já tão conhecidos das repartições públicas.

Quais documentos? II

“Mas, quais documentos eram esses?”, pergunta o repórter à fonte. Sem querer entrar muito em detalhes, ligando do celular via rede social (e não pelas operadoras de telefone), a fonte se limitou a dizer. “Eram dados sobre dívidas do Estado, pagamentos por fazer, pagamentos por receber”, disse em tom que deixava transparecer algum medo. “Quem fez isso não contava com o fato de que os auditores já haviam digitalizado os dados”.

Enquanto isso...

O presidente da corte de contas, conselheiro Valmir Ribeiro, foi informado do problema momentos antes da chegada do governador Tião Viana para uma solenidade formal no TCE. Viana seria agraciado com a Comenda do Mérito Excelso. Poucos dos que estavam presentes ao evento sabiam da tensão que estava no ar: auditores inconformados com a nota que Tião Viana escrevera um dia antes, não reconhecendo o diagnóstico do TCE sobre as finanças do Estado; o TCE surrupiado de documentos ainda sigilosos e Ribeiro cumprindo o rito, fazendo política, tentando acalmar os ânimos de uma ponta a outra.

Um detalhe

Um detalhe que intriga os auditores é que a corte de contas tem uma assessoria militar. “Esse tipo de problema não era para acontecer”, reclama um deles.

Por falar em TCE...

Qualquer pessoa com dois neurônios e meio é capaz de perceber como o TCE aumenta em importância na gestão de Gladson Cameli. Após declinar do convite, o conselheiro Antonio Malheiros apontou para dois cargos estratégicos na gestão. A chefia do Gabinete Civil e a secretaria de Estado de Fazenda. Malheiros só não está fisicamente no governo.

Técnico

No TCE, o conselheiro é conhecido (e até temido) pela postura estritamente técnica. Não tolera que assessores “fiquem perdendo tempo em internet”, como gosta de repetir sempre que vê alguém acessando rede social, ao invés de caprichar nos relatórios e análises de dados.

Ocorre

Só há um detalhe: quando (e se) houver um “ciribolo” na gestão de Gladson, qual será a postura de Malheiros? O nível de intervenção dele obrigará a se declarar impedido de julgar?

Fato

O TCE tem sido uma arena intrigante (e silenciosa) da gestão pública do Acre. Não é de hoje que ali, a carapaça “técnica” tem servido para articulações políticas.

Rocha

O vice-governador eleito do Acre, Wherles Rocha, precisa apreender o fato de que ele já “é governo”. Embora não tenha assumido efetivamente (isso é apenas um detalhe cronológico apenas), Rocha é parte importante de um governo. Rocha não pode, na condição de vice-governador, ter melindres de parlamentar.

Rocha II

O parlamentar fica com vaidade ferida por muito pouco. Tudo é motivo de melindres. Aí, o roteiro básico é enredar para o jornalista de plantão, render uma ou duas manchetes de impacto, massagear o ego do escriba das massas que pouco leem e muito opinam e pronto... feito o espatifado.

Constrangedora

Não deixou de ser constrangedora a situação de Gladson Cameli anunciando o secretariado sem a presença do vice. “Ser governo” exige tolerância. Exige uma postura de buscar resultados, mesmo que isso esmigalhe o ego do gestor.

Por que a pressa?

Outra coisa que não se tem justificativa é a pressa de Gladson em anunciar o secretariado. Por quê? Isso poderia ter sido feito com mais calma. Amansar o vice, reunir todos, tirar fotos, oferecer um refresco de cupuaçu com pastel e depois tirar a foto oficial com os dois comandantes à frente do grupo. Mas, não. Optou-se pelo atropelo e pelo constrangimento.

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