Domingo, 26 de Maio de 2019
14 Maio 2019 Written by 

Acre pode ser impactado com a decisão do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de passar à iniciativa privada unidades de conservação e parques nacionais

PALAVRA

O que o governador Gladson Cameli combinou com a deputada Mara Rocha (PSDB) e com o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária, Assuero Veronez, na sexta-feira (11) não foi cumprido. Já é uma tradição nesses longos cinco meses de gestão: o combinado pode ser caro e demorado.

AINDA

O que se combinou foi que Paulo Wadt, o ainda secretário de Estado de Produção e Agronegócio, deixaria o cargo para que o pecuarista Fernando Zamora assuma a pasta. A deputada federal Mara Rocha (PSDB) e o irmão Wherles Rocha, vice-governador indicaram Wadt. Mas o desempenho de Wadt não fortaleceu a relação com os produtores mais capitalizados. Ao contrário. Com os pequenos produtores, nem se fala: estes quase não estão na agenda oficial deste governo. De quebra, a falta de traquejo com parte dos servidores efetivos rendeu a Wadt uma antipatia já velha conhecida da rotina das repartições públicas. Wadt (é o que se diz a boca miúda na secretaria) não soube dar o tom adequado ao entusiasmo de quem tem estabilidade. "Sem contar o mantra 'lá em Rondônia' sempre presente nas falas com o grupo", diz um experiente servidor.

HASSEM

Outro que estava pela bola ás ontem (13) era o presidente do Instituto de Meio Ambiente do Acre, André Hassem. Houve necessidade de intersecção da deputada federal Vanda Milani (SD/AC) para que o ex-prefeito de Epitaciolândia permanecesse no cargo. No caso de Hassem, não se sabe ao certo o que motivou a possibilidade de degola da função. Incômodo ao setor agrícola não foi; ao setor florestal, muito menos. A possibilidade está em algumas nomeações feitas por Hassem. Mas nada é confirmado pelo Palácio Rio Branco.

LÓGICA

O que fica difícil de compreender é a lógica da gestão de Gladson. Qual é o critério que norteia as decisões? O caso mais simbólico, como o de Paulo Wadt, por exemplo. Um quadro qualificado da Embrapa que acredita na agricultura em grande escala e na pecuária, mas que não encontra amparo em uma gestão que diz incentivar o agronegócio. Wadt é uma indicação do PSDB, conquistou a simpatia do governador, mas a falta de jogo de cintura com produtores e parte do funcionalismo tem gerado pontos de atrito que incomodaram os irmãos Rocha. Ora, se o governador gosta do gestor, isso não é suficiente para a manutenção no cargo?

ORÁCULO DO TCE

Ou será que Gladson foi, mais uma vez, orientado a não ceder a todas as demandas do vice?

FATO
O fato é que no quinto mês de governo, quase chegando em junho, e a equipe do segmento de governo que mais tempo tomou dos discursos de Gladson Cameli na campanha ainda está sendo montada.

UNIDADES DE CONSERVAÇÃO

O Acre pode ser impactado com a decisão do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de passar à iniciativa privada unidades de conservação e parques nacionais. O anúncio feito ontem repercutiu negativamente entre organizações que lidam com a defesa do Meio Ambiente.

DUAS

No Acre, há duas unidades de conservação que podem ser impactadas com a tentativa do Governo Federal de praticamente privatizar a gestão, na tentativa de incentivar o Turismo. São elas: Parque Nacional da Serra do Divisor (que envolve a fronteira com o Peru nos municípios de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Marechal Thaumaturgo e Porto Walter) e a Floresta Nacional do Macauã, incluindo a premiada Reserva Estrativista Cazumbá-Iracema, no município de Sena Madureira. O intrigante na gestão de Bolsonaro é que ele consegue impor um tom dramático e apocalíptico em tudo. Já havia uma tentativa de se fazer uma gestão consorciada entre poder público e iniciativa privada nesses espaços como forma de incentivar o Turismo. Mas essa retórica neoliberal da mão invisível do mercado regulando tudo e chibatando todos tem atrapalhado. Erra no tom e na forma.

ATENÇÃO

Líder do governo na Aleac, Luiz Tchê (PDT), no comando de uma nova agenda entre o parlamento e o Palácio Rio Branco. Uma série de reuniões com gestores do Estado está marcada com os deputados. O primeiro é o secretário de Estado de Educação, Mauro Cruz. Vale a pena prestar atenção como essa dinâmica pode distensionar (e muito) o desgaste do governo no plenário. A conferir.

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