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24 Junho 2019 Written by 

Do ponto de vista político, é uma demonstração inequívoca de que Gladson está colocando na mesma fatura Mara e o irmão Wherles Rocha a quem o setor de Segurança estava diretamente vinculado. Confiança é uma moeda rara na gestão de Cameli.

MARA SURPREENDE

A surpreendente saída da deputada federal Mara Rocha (PSDB/AC) do grupo de apoio de Gladson Cameli na bancada federal precisa ser analisada com elementos práticos da rotina deste governo para não se cair em paixões desmedidas.

QUE ROMPIMENTO É ESTE?

Primeiro é preciso se perguntar que tipo de “rompimento” é este? Quer dizer que Mara rompe, mas com o amparo ao PSDB garantido com o segundo cargo mais importante do Governo do Acre? Rompe, mas o Major Rocha, irmão de Mara, continua com todos os cargos e com todo o poder que tem e que, em nenhum momento, foi ameaçado?

PARECE...

É um rompimento que em muito se assemelha à postura do MDB. Mantém cargos e estruturas grandes na Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão e também na Secretaria de Estado de Turismo por um lado e, por outro, apresenta uma postura crítica à administração Cameli com a atuação “independente” de Roberto Duarte na Aleac.

NA PRÁTICA

Ao que tudo indica, a questão central da saída de Mara Rocha ainda envolve a velha novela chamada Paulo Wadt, secretário de Estado de Produção e Agronegócio. Wadt é indicação da própria Mara Rocha. Aliás, foi uma indicação que Mara Rocha fez à revelia dos representantes do setor produtivo que nunca se identificaram com o gestor. A deputada, quando viu que o indicado por ela não atendia às demandas políticas que o cargo possui, passou a ficar incomodada, ao ponto de pedir a cabeça de Wadt.

SEM TRÂNSITO

Desde a afirmação de que não precisava de dinheiro para fazer agricultura até ser impedido de entrar em fazenda de produtor regional, Paulo Wadt tem demonstrado pouco trânsito, pouco jogo de cintura na execução da política agrícola local. O resultado dificilmente poderia ser outro: no governo de Gladson Cameli, também a Agricultura, até o momento, não disse a que veio. Ao menos, até agora.

BILE

Gladson Cameli, aliás, reagiu com a bile. Diante da postura da deputada em anunciar a saída do apoio ao governo em função da manutenção de Wadt no cargo, mirou na Segurança Pública. Anunciou uma espécie de intervenção miúda na Sejusp que soou como birra: toda decisão relacionada à pasta tem que passar pelo Gabinete Civil.

BILE II

Do ponto de vista político, é uma demonstração inequívoca de que Gladson está colocando na mesma fatura Mara e o irmão Wherles Rocha a quem o setor de Segurança estava diretamente vinculado. Confiança é uma moeda rara na gestão de Cameli.

ERRO

Além do fato de todo o problema está sendo anunciado de forma pública pela imprensa (para alegria de colunistas e com a discrição que a situação exige), há um erro de origem nesse episódio envolvendo Wadt/ Mara/Gladson: a partidarização de indicações para cargos de confiança. Gladson loteou o governo. E o tempo manejado pela política é um tempo indiferente às questões técnicas. A Secretaria de Estado de Produção e Agronegócio (Sepa) seja a que melhor simbolize isso.

RASGOU

Com isso, Gladson rasgou o que disse em campanha sobre nomeações técnicas.

MARA

Por meio de uma rede social, a deputada Mara Rocha (PSDB) se pocicionou. Eis a íntegra da declaração:

Sobre o atual Secretário de Agricultura, o Engenheiro Agrônomo Paulo Wadt, confirmo que o mesmo foi uma indicação minha, mas, a partir da sua posse, o mesmo começou a tomar atitudes que causaram muitos constrangimentos e que compreendi serem incompatíveis com a forma como o agronegócio deve ser conduzido no Acre.
Temos denúncias do Sr. Paulo Wadt ter nomeado, para Cargo em Comissão, uma sócia e funcionários de suas empresas de consultoria. Temos denúncias, também, de constrangimentos e ameaças dele a servidores da SEPA e EMATER. Temos denúncia de intimidação aos pecuaristas para venderem suas propriedades às pessoas de outros estados, onde o secretário estaria agindo como corretor de imóveis.
A essas denúncias se somaram as reclamações constantes dos produtores rurais do Acre, que não conseguem compreender o planejamento de médio e longo prazo do atual Secretário.
Diante desse quadro, procurei o governador e o coloquei a par do meu desconforto em relação o Secretário de Agricultura, declarando, de forma direta, e clara o que estava acontecendo. Naquele momento o próprio governador se mostrou indignado e confidenciou que o Secretário Paulo Wadt estaria lhe rendendo reclamações constantes e também não era de seu agrado, afirmando que o trocaria em pouco tempo.
Bem, o Secretário Paulo Wadt permanece no cargo e restou a mim o desgaste de ter meu nome vinculado a essa situação.

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