Sábado, 25 de Maio de 2019
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Presidente da Asspen fala sobre problemas do Sistema

Equipe reduzida e excesso de trabalho são alguns deles

O Presidente da Associação dos Servidores do Sistema Penitenciário do Acre (Asspen), Édem Azevedo, denuncia problemas do Sistema Penitenciário do Acre.

Segundo ele, equipe reduzida, excesso de trabalho e demanda tensa fazem parte da rotina dos profissionais. “A categoria se encontra no limite, a categoria pede socorro, várias ameaças de morte para os penitenciários e o governo e o Iapen não tomam uma atitude para nos ajudar”, disse Azevedo.

No caso do agente penitenciário Marcelo, que teria cometido suicídio dentro das dependências do Francisco de Oliveira Conde na tarde de ontem, havia um agravante. Ele teria pedido afastamento do trabalho para tratar de problemas pessoais e chegou a ser lotado em uma unidade prisional menor. O profissional recebeu atendimento psiquiátrico, psicológico e ajuda para tratar de dependência química entre os anos de 2017 e 2018. Na visão de amigos, ele não deveria ter voltado a atuar, já que ainda precisava de acompanhamento.

“É porque o trabalho no FOC é complicado, o trabalhador fica sobrecarregado e quando o Marcelo estava trabalhando comigo ele não ficava muito sobrecarregado, porque nós, colegas e os outros meninos, ajudávamos muito ele. Nós tentamos várias vezes fazer com que ele voltasse para UP4, mas não conseguimos, porque a direção do sistema queria porque queria que esses trabalhadores fossem para o FOC”, explica o Agente Penitenciário, José Janes Gomes.

Segundo a associação dos agentes penitenciários, Marcelo não é o único agente que sofria com problemas psicológicos. “Na segunda-feira nós tivemos uma reunião e foi alertado que não só o Marcelo tem problemas psicológicos, mas existem outros agentes que tem laudos que não podem trabalhar no prédio e precisam ser afastados”, afirma Édem Azevedo.

De acordo com o Diretor-Presidente do Instituto de Administração Penitenciária do Acre, IAPEN, Lucas Gomes, Marcelo Souza recebia acompanhamento e o caso, que ainda está sendo investigado, foi uma fatalidade.

“Infelizmente foi uma tragédia pessoal, ele já vinha se tratando alguns anos, encerrou o tratamento ano passado, tinha problemas com alcoolismo e depressão, mas já tinha apresentado uma melhora, tinha sido liberado pelos médicos ano passado, solicitou retorno ao serviço operacional para se sentir útil e também para fazer escalas de serviço extras, banco de horas, que ele vinha fazendo com muito zelo. Quem o acompanhava, tanto o nosso Núcleo de Apoio ao servidor penitenciário quanto os próprios colegas viam uma melhora significativa, mas infelizmente morreu em decorrência de uma doença silenciosa”.

Opinião profissional

A psicóloga Fernanda Saab explica que a depressão é um problema grave e que precisa de um tratamento específico. O caso do agente Marcelo serve como orientação para evitar que outras questões dessa natureza ocorram. A especialista acredita que o agente não deveria estar trabalhando.

“Eu acho que a partir da hora que perceberam que ele já estava com problema de depressão, o funcionário não só do Iapen, mas de qualquer empresa precisa ser afastado sim. A depressão não deve ser banalizada, não é frescura”, explica a psicóloga.

Em casos da doença, a orientação é buscar ajuda o mais rápido possível. “Procure um profissional na área, caso você não queira procurar um profissional na área, fale com a sua mãe, fale com o seu pai, procure alguém em quem você confie realmente para desabafar, contar o que está acontecendo e talvez essa pessoa consiga te encaminhar para um profissional”, conclui a Psicóloga.

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