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De Lula a Bolsonaro - o papel político da grande mídia

Informar a verdade passou a ser detalhe no processo político

A campanha da grande mídia, no Brasil, contra Lula e Bolsonaro segue uma linha idêntica, ainda que os apoiadores de um e de outro não saibam ou não queiram assumir tal fato.

A história de Lula já há muito vem sendo cantada e decantada. Agora chegou também a vez de Bolsonaro. Como os próprios meios que o denunciaram reconhecem, faz tempo ele vive da política. É tão exitoso nisso que chegou a abrir uma espaço para que três filhos seus vivessem também como ele, isto é, parasitando a política. Em poucas palavras, pode-se dizer que a família Bolsonaro ganha a vida com o reacionarismo.

A evolução de seu patrimônio também não é de hoje. De hoje é tão somente essas denuncias sobre algo já sabido há muito tempo. E a razão é óbvia. Bolsonaro vem aparecendo, continuamente, nas últimas pesquisas em segundo lugar, atrás apenas de Lula.

Com isso, começou a ameaçar os preferidos da grande mídia, os mais afinados com seus projetos privatistas e antidemocráticos. Desse modo, a parcela da mídia aqui em foco resolveu atacá-lo - com e sem razão - no intuito de minar aquele que é um de seus principais argumentos: a honestidade. A defesa da tortura, seus racismo e machismo, assombrosos por si mesmos, não mereceram o mesmo destaque nesses democráticos e republicanos meios.

Ante esses dois personagens (Lula e Bolsonaro) que representam, para muitos, os extremos da política, a grande mídia vai
forjando outro extremo, mostrando sua intenção de definir o certo e o errado, o justo e o injusto, o inocente e o culpado, o que pode e o que não pode participar das eleições - e, sobretudo, os que podem vencê-la e com que programa hão de atuar e governar.

Sem nenhum compromisso em informar a verdade, vai formatando assim certa opinião pública, fabricando uma narrativa moral a moldar as perspectivas, a constranger a Justiça.

Embora vocifere contra a pressão que os partidários de Lula e outros pretendem fazer no julgamento do próximo de 24, o papel político, econômico, moral e jurídico da grande mídia, neste cenário, é ostensivo e mais execrável que qualquer outro.

Israel Souza é Cientista Social, professor e pesquisador do IFAC/Campus Cruzeiro do Sul. Coordenador dos projetos de pesquisa Trabalho, Território e Política na Amazônia e Miséria Política no Brasil. Autor dos livros Democracia no Acre: notícias de uma ausência (PUBLIT: 2014) e Desenvolvimentismo na Amazônia: a farsa fascinante, a tragédia facínora (no prelo).

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