Um ano sem Marília Mendonça: cantora continua no coração dos fãs graças ao legado na música

Cantora morreu no dia 5 de novembro de 2021; choque da partida precoce dela também foi sentido por artistas sertanejos

Foi levando um violão nas mãos e um caderninho repleto de novas composições que Marília Mendonça se despediu do público, há exatamente um ano, em um trágico acidente aéreo. Com apenas 26 anos e cinco de carreira, a cantora — que já havia conquistado o título de rainha da sofrência — não pretendia deixar a música tão cedo.

A artista e outras quatro pessoas morreram no dia 5 de novembro de 2021 após a queda do avião em que estavam, em Piedade de Caratinga, Minas Gerais. Além dos familiares, a jovem deixou milhões de fãs entristecidos e uma lacuna na música sertaneja.

O diretor musical e jurado do Canta Comigo Thiago Gimenes avalia que não só a voz mas as composições de Marília fazem falta na música brasileira. “Muitos artistas pediam composições da Marília justamente porque ela entendia o sentimento humano. Ela sabia como colocar em palavras o que as pessoas, muitas vezes, não conseguem expressar”, diz.

Foi justamente ao retratar a dor de amor que ela se destacou e ainda vem servindo de inspiração a outras mulheres. “Há um fator determinante para o sucesso de um artista que vai além de suas composições: o carisma. Isso a Marília Mendonça tinha de sobra. Porque não há preconceito nenhum, como o machismo, que resista a essa força natural da personalidade de alguém. Foi dessa forma que ela quebrou paradigmas e estabeleceu um caminho, um norte a ser seguido, por outras cantoras sertanejas. Então, a própria luz da Marília pavimentou a estrada para que tivéssemos um sertanejo mais feminino”, analisa o pesquisador musical Marcelo de Assis.

Apesar da falta física da cantora, o especialista acredita que Marília sempre estará presente por meio do legado que deixou. “Creio plenamente que ela continua ‘viva’ entre nós graças às suas artes. Uma artista da magnitude de Marília Mendonça, que emplacou muitos sucessos e atraiu milhões de pessoas em seus shows, dificilmente terá sua imagem e lembrança  fora do consciente popular.”

Roberta Miranda e Gusttavo Lima relembram, emocionados, a trajetória de Marília Mendonça

O choque em torno da morte da cantora também foi muito sentido entre os artistas que conhecem bem os riscos da estrada. Roberta Miranda, inúmeras vezes citada como inspiração para Marília, chegou a passar mal assim que soube

A rainha sertaneja relembra momentos incríveis que compartilhou com a sucessora da coroa. “Quando eu a convidei para fazer o meu DVD de 30 anos de carreira — a gente ainda não tinha se encontrado pessoalmente, mas as pessoas chegavam para mim e falavam: ‘Marília está para lá e para cá, está nervosa’. E, quando ela chegou ao palco, eu dei um abraço tão forte, como se fosse filha, uma parte de mim”, completa.

Gusttavo Lima nunca escondeu a tristeza de saber que não dividiria os palcos com a amiga outra vez. Por isso, sempre que pode, faz questão de mencioná-la nos shows e se emociona: “A partida dela foi difícil demais para todos nós. Ela foi um dos maiores fenômenos da música e vai continuar a ser, porque uma pessoa só morre quando seu nome não é mais falado, e isso não é o que vai acontecer, já que o nome dela jamais será esquecido. Podem ter certeza de que a Marília permanece viva em nosso coração, na nossa mente e jamais será esquecida”.

“Foi uma perda extraordinária… Inenarrável. A menina tinha toda a vida pela frente. Fiquei muito triste, muito triste mesmo. E ainda estou, mas me alegra lembrar que tivemos o prazer de estarmos juntas e gravando Os Tempos Mudaram. Depois, todo esse sucesso que ela faz, sem dúvida a música é um motivo de ela seguir viva entre nós. Marília Mendonça não morre e não vai morrer, sem contar que ela deixou também um legado bastante importante. Ela fazia coisas diferentes, como a forma de escrever, de dizer: ‘Olha, eu te amo, cara, mas, se você não me quiser, não tem problema, estou indo, estou seguindo’.”

Marília se foi e deixou centenas de músicas para ser lançadas, além de dúvidas sobre como ficaria o legado dela para o feminejo. Yasmin Santos, um dos nomes cotados para eternizar e levar adiante a história da rainha da sofrência, conta que aprendeu muito com a amiga.

“Ela me ensinou muito e de inúmeras maneiras. Me ensinou, principalmente, que nosso tempo é o que nós temos de mais precioso e que precisamos dar mais valor a ele. Pra Deus não importa cor, tamanho, idade, patamar, se somos ricos ou pobres… O dia chega para todos. Eu sempre quis representar as mulheres com a minha voz, e ela me ensinou a fazer isso, principalmente a ler o sentimento das pessoas e transformar em música”, finaliza.

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