O toque de recolher das facções criminosas e a instabilidade da segurança pública no Acre

Nos últimos dias, a população acriana voltou a conviver com a angústia de acompanhar atos extremos de violência originados de conflitos existentes entre organizações criminosas que atuam no estado.

Segundo o teor de “comunicados” amplamente divulgados nas redes sociais, aplicativos de mensagens e notas da imprensa local, supostamente veiculados por uma das facções criminosas, o atentado contra um dos seus líderes pela organização rival motivaria retaliações, sendo o toque de recolher uma das medidas impostas.

A provável ordem do toque de recolher por uma das organizações criminosas rapidamente proporcionou uma sensação de insegurança entre os cidadãos da capital Rio Branco e outros municípios do estado.

A maneira como os “avisos” foram propagados, inicialmente semelhantes a mensagens “fakes” (considerando-se  a facilidade de se criar notícias inverídicas no mundo cibernético) revela que  qualquer episódio similar sempre será suficiente para causar a aflição do nosso povo, dado os efeitos de tantos crimes graves ocorridos nós últimos anos.

A cúpula da segurança pública estadual precisou se manifestar sobre a situação. Em coletiva à imprensa, esclareceu, que o toque de recolher não existia, sob o fundamento de que era temerário fazer uma afirmação sem elementos concretos.

Infelizmente, uma sequência reiterada de eventos violentos registrados nos últimos dias, incluindo homicídios, tentativas de homicídio e até disparos de arma de fogo, vivenciados, principalmente, pelos moradores de bairros periféricos dominados pelas facções, foram evidências óbvias de que estas organizações criminosas realmente consolidaram a prática de intervenções radicais para atingir seus interesses momentaneamente.

Entendemos que o aumento periódico da violência no Acre sempre tem uma motivação, um “estopim casuístico”, inclusive não é a primeira e, talvez, não será a última vez, que vamos ter notícias sobre “toque de recolher”.

Nesse contexto, afirmamos que a discussão sobre a veracidade do toque de recolher é totalmente inócua. O que é realmente importante são as ações concretas e firmes dos órgãos de segurança pública do estado, na prevenção e repressão à atuação das organizações criminosas.

Os cidadãos acrianos não são bobos e compreendem muito bem a realidade da violência em que vivemos.

A atuação das facções é uma realidade que fomenta a violência. É um mal para o qual o estado deve incessantemente desenvolver mecanismos de controle e punição, mesmo que não o consiga extirpar em definitivo.

Nos nossos textos https://agazeta.net/coluna-da-casa/falando-sobre-seguranca-publica-no-acre/o-poder-paralelo-das-faccoes-no-dia-a-dia-de-rio-branco/ e https://agazeta.net/coluna-da-casa/falando-sobre-seguranca-publica-no-acre/cidade-do-povo-a-cidade-de-deus-do-acre/ tratamos detalhadamente sobre os pormenores das facções que são responsáveis por toda a instabilidade na segurança pública do Acre.

Na verdade, se há toque de recolher ou não, tenho certeza de que os mais atingidos são a população mais carente da nossa capital e de outros municípios do estado.

E, justamente por isso, o estado tem que priorizar estratégias urgentes nessas áreas. A segurança pública tem que reagir, promover ações contundentes através da cooperação entre todos os órgãos policiais, evitando-se assim a continuidade do momento de violência atual e toda a instabilidade social.

01 Comentário

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