Os filmes que deveriam ser um documentário

“A menina que matou os pais” e “O menino que matou meus pais” são dois filmes sobre o assassinato dos pais de Suzane Von Richthofen, história real de um crime que aconteceu em 2002 no Brasil.

Os filmes contam a versão a partir do ponto de vista de Suzane e de Daniel Cravinhos sobre como o crime supostamente aconteceu baseado nos depoimentos de ambos. São histórias maçantes que passam a impressão que quem assiste pode julgar qual delas é a verdadeira.

Em “A menina que matou os pais”, somos apresentados à versão de Daniel e o que o motivou a cometer o crime. Suzane é apresentada como uma menina perturbada, abusada e com vícios em drogas, com uma família problemática, enquanto Daniel pinta a si mesmo como um garoto pobre, trabalhador e completamente apaixonado em busca de salvar sua amada.

Na versão de Suzane, em “O menino que matou meus pais”, Daniel é apresentado como um garoto interesseiro, abusivo, que tem uma família sem os “princípios morais adequados”, enquanto Suzane se apresenta como uma jovem inocente em uma família protetora e amorosa que acaba por ser manipulada pelo amado que está supostamente em busca do seu dinheiro.

As histórias são contraditórias e não levam o telespectador a lugar algum, a não ser o de tirar suas próprias conclusões sobre o caso que já foi julgado e com sentença definida. Não são narrativas que acrescentem em nada, são histórias maçantes e com explícita manipulação de quem a está contando, o que torna tudo muito, na falta de palavra melhor, chato.

A história seria melhor apresentada com um olhar documental, sem a romantização feita pelos envolvidos no crime ao contar sua versão, na expectativa de inocentar a si mesmo. Ambos os filmes estão disponíveis no Amazon Prime.

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