A impressão que se teve é de que, por mais que a intenção seja boa, há um descompasso entre os governantes e as populações tradicionais. Quem é acostumado à vida em reserva extrativista traz o diagnóstico na ponta da língua: Falta-lhes intimidade.

Eleição PT

A eleição do sociólogo Marcos Inácio Fernandes (o “Marcão”) para presidente do diretório municipal do Partido dos Trabalhadores foi marcada por polêmicas fora do pleito. As redes sociais foram o palanque escolhido.

Roteiro

Tudo seguiu o roteiro normal: fotos, selfies, sorrisos, combinações de churrascos, almoços, críticas a Temer e, claro, camisas vermelhas, a cor símbolo do partido. Até a chegada do prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre, tudo ia bem.

Amarela

A camiseta amarela (do time do São Paulo) destoou da aguerrida militância. E, como ensinou um antigo professor, “a forma também comunica”.

Foco

É óbvio que a “polêmica” nas redes sociais não diz respeito à cor de camisa: se é amarela, vermelha ou rósea. A questão é simbólica. E o prefeito passa ao largo dessa discussão: o nome que deve representar o partido nas eleições ao Governo do Estado não deve se envolver nesse tipo de “polêmica”.

Essência X pragmatismo

Mas, internamente, a discussão é válida. O debate guarda relação com o que o PT ainda preserva de “essencial” na toada “pragmática” que tem dado o tom ao partido desde a primeira eleição de Lula.

Cazumbá

Os trabalhadores da Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema não têm nada a aprender com o Governo do Estado. Ou, para a afirmação ser menos arrogante, o Governo do Estado não tem nada a ensinar aos moradores dali. Coordenada pelo antropólogo Tiago Juruá Damo Ranzi, a resex é um dos raros exemplos apontados pelo ICMBio como exemplo de gestão.

Cazumbá II

Na semana passada, a vice-governadora, Nazareth Lambert, foi à sede da coordenação da resex, acompanhada de um séquito de deixar constrangido qualquer chefe de Estado. Como diz o matuto, “era gente, menino!”. De primeira dama aos soldados do Corpo de Bombeiros, teve de tudo. Mas, a agenda foi tão frágil que teve até “parabéns pra você” a uma liderança extrativista que nem estava presente.

Intimidade

A impressão que se teve é de que, por mais que a intenção seja boa, há um descompasso entre os governantes e as populações tradicionais. Quem é acostumado à vida em reserva extrativista traz o diagnóstico na ponta da língua: Falta-lhes intimidade.

Oficial

O argumento oficial foi o seguinte, segundo a Agência de Notícias do Acre, noticioso do Governo na web: “em um ato que representa independência e autonomia financeira ao grupo de artesanato da Reserva Extrativista Cazumbá, a vice-governadora, Nazareth Araújo, a primeira-dama do Estado, Marlúcia Cândida, e o chefe da Resex, Tiago Juruá, fizeram a entrega da solução tecnológica vulcanizante – matéria-prima do artesanato produzido pela comunidade. Elas anunciaram também investimentos de mais de R$ 600 mil para a estruturação de galpões destinados ao centro de artesanato na comunidade”, diz a agência.

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