Maria Silvia quis adotar uma postura minimamente responsável em um covil onde se pratica o capitalismo de baixo risco (ou, capitalismo de compadrio). A gravata e a soberba são privados, mas o que os garante é o sempre provedor cofre estatal.

Maria

Para um escriba distante do furacão de Brasília, é difícil avaliar os bastidores que culminaram com a saída de Maria Silvia do BNDES. Mas, como o enxerimento é maior, lá vai.

Maria II

A postura apontada como “técnica” (ou “ortodoxa”) da primeira mulher a assumir a presidência do banco de fomento brasileiro foi causa para a colisão com um Gabinete Civil que pouco entende de ortodoxia. Pelo o que os grandes jornais noticiam, Maria Silvia trombou com o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Moreira Franco; Paulo Skaf (presidente da Fiesp) e com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.

Trombar?

E o que o verbo “trombar”, no sentido exposto, quer dizer? É um verbo que quer dizer muito no contexto. Maria Silvia quis adotar uma postura minimamente responsável em um covil onde se pratica o capitalismo de baixo risco (ou, para ser mais claro, o capitalismo de compadrio). A gravata, o champagne e a soberba são privados, mas o que os garante é o sempre provedor cofre estatal.

Entrelinhas

A saída de Maria Silvia do BNDES, nesse sentido, não é uma saída qualquer. O que esteve em choque foram duas visões a respeito da gestão pública. Uma rechaça qualquer possibilidade de “jeitinho” ou conchavos em nome do “capital político”; a outra adota, em nome da sustentabilidade política, qualquer desmando.

Hospital de empresa

Ao menos para quem está muito longe dos embates, Maria Silvia não adotava a ideia de que o BNDES deveria funcionar como uma espécie de UTI de empresas. Lascou-se, por isso também.

Outros

Há outros fatores tão importantes quanto o já citado. O destaque fica por conta do rifamento do nome de Maria Silvia no Congresso no que diz respeito à Operação Bullish.

Uma coisa e outra coisa

Agora, nessa confusão toda, uma pergunta fica: dava para ser diferente? Lula, Dilma, Aécio, Temer, Eliseu Padilha, Moreira Franco, Palocci, Dirceu, Vaccari, Cunha, Cabral, Alberto Yousseff, Maluf, Tiririca e tantos outros… não são a cara do Brasil? Dá para ter políticos diferentes disso? Quem os colocou ali, têm ou não têm pontos de identidade?

Exemplo no terreiro

A Aleac, por exemplo. Não é a cara do Estado do Acre?

Agora, vai

A Agência de Negócios do Acre, o braço do Estado que tem participação cotista em empreendimentos como Peixes da Amazônia S/A, Dom Porquito e Acre Aves, anuncia que os sheiks dos Emirados Árabes se encantaram com o Acre. Agora, vai!

Sherazade

É cada história que faria Sherazade ficar caladinha… só escutando… e corando, claro!

Sugestões, críticas e informações quentinhasdaredacao@gmail.com

Foto de ilustração: Aloisio Maurício/Folharena/Folhapress

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