Toque de recolher desautoriza Bocalom a iniciar aulas na rede pública de ensino

Tião Bocalom já tem cabelos brancos em demasia para ignorar que uma decisão de ordem política não pode ter recuo.

A decretação do toque de recolher em todo Estado feito pelo governador do Acre, Gladson Cameli, deveria desautorizar o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, a determinar a volta às aulas na rede pública municipal. Não há cenário que permita o reinício das aulas nas escolas do município com o mínimo de responsabilidade.

A taxa de ocupação de UTI’s no Acre atualmente é de 71%. Traduzindo em números: 53 dos 75 leitos de Unidade de Terapia Intensiva estão ocupados. Os 25 mil alunos de Rio Branco alimentam 25 mil possibilidades de Tião Bocalom errar. Sem contar os professores e demais servidores da Educação.

Não há cenário positivo para o “novo Boca”. Mesmo se nenhum professor, aluno ou merendeira for infectado pelo novo coronavírus no retorno às aulas; mesmo que essa inexplicável e ilógica pressa de Bocalom em reabrir escolas do Município não acarrete em nenhuma morte pelo ambiente de pandemia; mesmo que a intransigência do alcaide revele ao menos um novo gênio nas escolas de Rio Branco, ainda assim o risco coletivo de contaminação vai se destacar e expor a irresponsabilidade do gestor.

Tião Bocalom já tem cabelos brancos em demasia para ignorar que uma decisão de ordem política não pode ter recuo. É possível rever uma decisão, desde que a referência seja o interesse público. O orgulho do gestor não pode ter vidas em jogo.

Outro detalhe: o secretário de Saúde de Rio Branco, Frank Lima, precisa entender que assessor não serve só para dizer “sim” ou “sim, senhor!”. A condição lhe impõe postura interna mais pró-ativa, de embate interno com a secretária de Educação, professora Nabiha Bestene e com o próprio prefeito.

Aliás, a professora Nabiha Bestene, para não mostrar que tem apego a cargos, não poderia colocar o currículo em risco. Já deveria ter dado a Bocalom o ultimato: “prefeito, se o senhor insistir em reabrir escolas nessas condições, coloco meu cargo à disposição”. Seria uma postura mais digna. Um gesto que dialogaria com a vida.

No Acre, já são 848 mortes registradas pela covid-19. O ano letivo que se lasque. Os professores já disseram que não irão entrar em sala de aula sem serem vacinados. Ou Tião Bocalom está surdo para a lógica; ou a teimosia pode lhe custar o primeiro desgaste político antes mesmo da “campa bater” para o início da aula.

Sugestões, críticas, informações itaan.arruda@gmail.com

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