Sexualidade em Pauta

Os malefícios da incessante busca do orgasmo por penetração

Uma das reclamações que mais ouço na clínica e gostaria de falar hoje com vocês sobre, é de mulheres que não conseguem chegar ao orgasmo apenas com a penetração. Então vamos lá entender o porquê de isso acontecer?

Ao contrário do que se pensa, a maioria das mulheres não consegue atingir o orgasmo apenas com penetração, o maior responsável pelos orgasmos é na verdade o clitóris que é o único órgão do corpo feito unicamente com o objetivo de se obter prazer. Então porque não usar e abusar? Grande parte das mulheres precisa de outros estímulos simultâneos e tá tudo bem com isso.

Existem vários motivos pelos quais a penetração é tida como a principal forma de se obter prazer, apesar de não ser. Temos um padrão de relações sexuais definido pela pornografia, tornando o ato sexual extremamente falocêntrico, mecanizado e irreal. Seguindo esse mesmo padrão, existem os filmes de romance onde ambos atingem o orgasmo rapidamente e ao mesmo tempo, sem muito trabalho. Ser bombardeado por todas essas questões constantemente tem suas consequências e toda essa expectativa acaba por afetar a autoestima e a confiança.

Além disso, existem todas as questões sociais. As consequências de uma sexualidade livre dentro de sociedades conservadoras, a pressão e toda a carga negativa atribuída ao sexo e experiências negativas de relações passadas, entre outras questões, influenciam a experiência sexual, principalmente das mulheres.

Junto de tudo isso, toda a cobrança do orgasmo apenas por meio da penetração gera medo e causa a sensação de que caso não se consiga chegar lá dessa forma é porque há algo de errado conosco e com nossos corpos, o que é uma mentira, fazendo com que as próximas experiências sexuais já venham carregadas de nervosismo e ansiedade.

“Pressionar mulheres a buscar prazer feminino somente pela penetração é algo que vai contra a anatomia feminina: o orgasmo assim é raro, pois se trata de uma região pouco inervada”, diz a Psicanalista Mariana Stock, fundadora da Prazerela.

A expectativa de trazer essa questão hoje é normalizar o fato de às vezes não conseguirmos, de que existem mulheres que talvez nunca consigam. Que paremos de carregar tanta culpa por algo que não temos controle e aprendamos a aproveitar o processo.

O conhecimento é libertador. Seu corpo é único e a forma como você experimenta o seu prazer também é!

Deixe uma resposta