Americanah: um romance necessário, que fala sobre raça, gênero e migração

Pensei e repensei qual seria o primeiro livro da Chimamanda que eu traria para a nossa coluna. Fiquei com duas obras em mente, a minha preferida e a minha última leitura da autora. Ganhou Americanah, meu livro preferido da nossa querida escritora nigeriana.

Conheci Chimamanda Ngozi Adichie quando estava em uma tentativa de ler mais livros de mulheres e que elas fossem de fora do eixo que eu estava habituada – países como Brasil, Estados Unidos e Reino Unido.

O título me chamou atenção, e ele havia sido indicado por pessoas queridas, que me garantiram que eu iria gostar do livro. Confesso que fiquei presa à leitura, sem saber se avançava e descobria logo toda a história, ou se desfrutava o romance com carinho para evitar o fim do livro.

Fiquei com a segunda opção, e demorei mais o que habitual para finalizar a leitura. Não queria que o livro terminasse. Queria continuar envolvida com os personagens por mais tempo.

A protagonista se chama Ifemelu. Conhecemos sua infância, adolescência e a vida adulta. Acompanhamos boa parte dessa transição de fases. A história acontece na Nigéria, país da personagem e da própria autora, e nos Estados Unidos, onde tanto a personagem quanto a autora fizeram faculdade.

Gosto de destacar isso porque é uma característica da Chimamanda. Suas histórias são geralmente baseadas em vivências que ela teve, ou pessoas próximas dela tiveram. Sempre tento saber até que ponto a história do livro é real, e até que ponto é ficção.

Retomando…

Ifemelu migra para os Estados Unidos numa tentativa de continuar seus estudos da faculdade, por causa da crise política e social que está acontecendo na Nigéria, o que afeta as instituição públicas locais, com longas greves, similares as que vemos no Brasil, por exemplo.

Esse é outro ponto que acredito merecer destaque. A semelhança que a Nigéria e o Brasil possuem. Ao longo do livro a autora narra pontos sociais, econômicos, culturais e políticos do país, e com isso, percebemos que em muitos deles existe essa semelhança com o nosso Brasil.

Questões como: a pouca quantidade de pessoas ricas no país e a quantidade de dinheiro que elas possuem, parecem ser similares no Brasil e na Nigéria. E consequentemente, a grande quantidade de pessoas pobres que existem nos dois países, vivendo com menos que o mínimo.

Uma curiosidade que me chamou atenção durante a leitura, e remete a essa proximidade entre os dois países, foi o fato de ser comum e uma comida típica nigeriana a banana frita. Tal qual temos no Acre. Achava que era um costume regional, amazônico, talvez por inocência, ou só desinformação mesmo. Mas, gostei de saber que o prato não é exclusividade nossa.

Outro ponto é quando a personagem principal se percebe com uma pessoa negra. Isso ocorre apenas quando Ifemelu vai morar nos Estados Unidos. Na Nigéria, mesmo existindo grandes diferenças étnicas, o problema não existe, já que a grande maioria da população é negra.

Poderia passar o dia falando sobre quão incrível são Americanah e Chimamanda… mas vou me limitar a dizer que a construção da narrativa nos envolve, instiga, nos faz refletir e ter percepções bem pessoais de certas situações. Por isso, considero o livro como uma das minhas leituras preferidas.

Vocês podem mandar críticas, sugestões e mensagens pelo e-mail freitas.pamelarocha@gmail.com

Pâmela Freitas é jornalista formada pela Ufac, pós-graduanda em Jornalismo Digital pela Unyleya e repórter no site Agazeta.net

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