Coraline: uma analogia ao narcisismo

Coraline é uma garotinha que acabou de se mudar com os pais para uma estranha casa velha, acompanhada de uma vizinhança bastante peculiar. Garota curiosa e bastante entediada, por conta da idade e da falta de atenção dos pais que vivem ocupados com os seus trabalhos. Na busca por conhecer mais sobre o novo lar, começa a explorar a nova casa até achar uma portinha minúscula. Mal sabia a garota que através daquela nova descoberta, haveria um novo mundo…

Quando Coraline consegue atravessar a porta, ela se vê no mesmo ambiente, contudo, algo parecia diferente… Ao adentrar mais a casa, ela encontra com a figura mais estranha da casa, sua mãe, ou melhor, sua outra mãe. E, logo mais, seu outro pai. A garota acha a situação um tanto diferente, pois no lugar de olhos, havia botões em seus outros pais. No primeiro momento, mesmo com tanta estranheza, ela aceita os cuidados que eram renegados por parte de sua família verdadeira. E, toda vez, que Coraline voltava para o outro mundo, reparava as diferenças entre seus pais, vizinhanças e etc.

A outra mãe mimava a garota, fazendo suas vontades como bem queria, na intenção de agradá-la para que ela ficasse permanentemente naquele mundo desconhecido e, ao mesmo tempo, tão familiar. Em um primeiro momento, aquela mãe peculiar abria mãos de coisas para conseguir o afeto da garota, mas com o decorrer da história, percebe-se que ela queria algo em troca.

Na história, Coraline descobre que a outra mãe queria sua alma em troca, ou seja, os olhos para trocá-los por botões. É possível fazer uma analogia sobre a outra mãe e trazer para o mundo real, não aquele de Coraline, no qual seus pais são verdadeiros, mas esse nosso mundo real. Como, por exemplo, quando permitimos que certas pessoas entrem em nossas vidas e nos deem aquela mínima coisa que em algum momento foi nos regado. Mas não só isso, também uma situação em que somos manipulados por pessoas narcisistas que querem ser amadas.

A figura peculiar da outra mãe é totalmente narcisista, e um dos pontos para essa afirmação, é pelo fato de ela esconder os olhos das crianças mortas, que Coraline encontra eventualmente. Ela ainda tinha aquelas crianças presas a ela, dependentes dela. Quanto mais crianças ela conseguia, mais era alimentado o seu ego, a sua monstruosidade. Às vezes, dentro de nossas próprias casas, encontramos pessoas assim, pessoas autodestrutivas. Elas fazem de tudo para nos manter submissas, dependentes delas, para amarmos elas.

Coraline com toda a sua esperteza, consegue perceber os sinais deixados por aquela figura magra, alta e monstruosa. Desta forma, ela consegue se livrar daquela mulher e voltar para o seu verdadeiro mundo. Contudo, as outras crianças mortas, não tiveram a mesma sorte que a garota, e acabou indo para o outro plano espiritual quando foram libertas. Em nosso mundo real temos várias Coralines, várias outras mães e várias ‘crianças mortas’. Qual você é?

Texto escrito por Juilyane Abdeeli é estudante de Jornalismo na Universidade Federal do Acre e estagiária da TV Gazeta

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