Eleanor & Park: a mágica do primeiro amor

A indicação da semana vem com ressalvas… Eleanor & Park é um romance juvenil/adulto que fala sobre primeiro amor e o primeiro relacionamento amoroso entre um casal hétero. Para além disso, o livro aborda questões importantes como relacionamento abusivo, violência doméstica, desigualdades sociais em um mesmo espaço, dentre outras coisas.

Mas, um ponto que devemos observar, e não deixar passar em branco, são as questões raciais e xenofóbicas que o livro traz. O protagonista, Park, é descendente de coreanos que moram nos Estados Unidos. No livro existem algumas falas preconceituosas de Eleanor, e outras onde o próprio Park apresenta pensamentos xenofóbicos com a mãe que é coreana.

Feita esta observação inicial…

O livro traz a perspectiva do primeiro amor, primeiro romance e relacionamento. Em alguns momentos a gente se identifica com os sentimentos dos personagens, porque, afinal, quem nunca teve seu primeiro amor? E é um romance doce e quase que inocente.

Os dois estudam no mesmo colégio e começam a dividir o mesmo assento no ônibus durante o trajeto para a escola. No início, como um bom clichê de romance, eles não são amigos, não se gostam e têm implicações um com o outro. Mas, com o decorrer do tempo, eles descobrem gostos semelhantes por livros, músicas e um carinho mútuo.

O romance ao mesmo tempo que é leve, também é denso. Existem alguns pontos do texto, que por causa da temática abordada – como cito lá em cima – eles acabam se tornando mais pesados, mas são pontos importantes que precisam ser tratados. Vale também destacar a forma como o livro é dividido, que torna a leitura mais rápida e fluida, gosto disso.

Park tem pais unidos, um lar aconchegante e uma vida boa. Eleanor por outro lado está inserida em uma família desestruturada, onde a mãe se encontra em um relacionamento abusivo, e ela e os irmãos caçulas sofrem no meio disso. São dois mundos e duas realidades diferentes que entram em confronto no decorrer do livro.

Podemos perceber um romance juvenil diferente. Focado em algo mais real, mostrando que nem tudo são flores, por exemplo, que nossa vida sempre tem e terá altos e baixos. Talvez classifique isso como um ponto muito positivo da obra, já que não é tão “fantasiosamente perfeito’ como os romances clichês são.

Conseguimos sentir junto com os personagens principais como é viver esse amor jovem, intenso e com um quê de melancolia.

Um ponto que a Pâmela adulta se identifica com Eleanor adolescente é na forma de como receber amor e carinho de uma pessoa que amamos ajuda muito a moldar quem somos. Nutrir o coração com o amor que recebemos do outro é um sentimento muito bom e que eu só descobri na fase adulta. E a Eleanor floresce demais com o amor que recebe do Park, é lindo de ver.

ALERTA DE SPOILER

Confesso que quando li pela primeira vez eu não gostei de como a autora encerrou o livro, a narrativa que é construída nos a leva a esperar por determinado final da obra, mas ela rompe essa barreira do clichê. Lendo novamente após alguns anos da primeira leitura e sendo uma pessoa diferente de quem eu era há, não sei, oito anos atrás?, eu entendo a intenção desse tipo de construção textual. Ainda não sei se concordo, cof cof, mas entendo.

Chorei nas duas vezes que li o livro, mas não sou referência, sou chorona assumida.

Vocês podem mandar críticas, sugestões e mensagens pelo e-mail freitas.pamelarocha@gmail.com

Pâmela Freitas é jornalista formada pela Ufac, pós-graduanda em Jornalismo Digital pela Unyleya e repórter no site Agazeta.net

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