“O peso do pássaro morto”: uma grata surpresa

O livro “O peso do pássaro morto” foi a leitura que mais me marcou em 2020, e eu não podia começar a falar de livros sem citá-lo. E isso aconteceu de forma despretensiosa, eu não sabia do que se tratava o romance e também não conhecia a autora. Mas, gosto de livros que sabem se vender, pela capa e pelo título.

Em uma noite de insônia, e vagando por obras no kindle, me deparei com o livro de estreia da escritora Aline Bei. A obra lhe rendeu o Prêmio São Paulo de Literatura em 2018, o prêmio Toca, além de ser finalista do Prêmio Rio de Literatura. Nele, a autora trata sobre o sofrimento feminino, e relata a vida de uma mulher, dos oito aos 52 anos, marcada por traumas.

O peso do pássaro morto é uma leitura fluida, às vezes leve às vezes pesada. Conta pequenos detalhes da vida de uma mulher, por assim dizer, normal. Desde sua infância até a morte. A narrativa é feita em primeira pessoa, mas não sabemos o nome da mulher que conta a história, conhecemos apenas sua vida. O título na verdade surge como uma metáfora para as perdas que a narradora tem ao longo do que viveu.

O livro tem um tom de melancolia e pessimismo, mas não deve ser encarado como algo ruim, pelo contrário, acredito ser o diferencial do romance. Aline Bei traz também assuntos que permeiam a sociedade, mas que nem sempre são fáceis de serem tratados, tais como: o bullying, o estupro, a maternidade não desejada, a incapacidade de amar – a si próprio e o outro -, e também, a solidão.

A medida que a menina narrada no romance vai envelhecendo, ela vai aprendendo a lidar com os dissabores da vida. Acredito que a intenção da autora é que o livro não seja sobre perdas, mas sobre o que fica após as perdas, e ela consegue fazer isso muito bem. Bei consegue transmitir de forma excepcional as emoções com um jogo de palavras bem construído.

O fim da leitura me deixou com um nó na garganta e refletindo sobre a vida da personagem e minha própria vida. Precisei de um tempo para absorver o livro e voltar meus pensamentos para a “vida real” e tudo que estava ao meu redor… Aline Bei conseguiu trazer uma boa obra logo na sua estreia, por isso, essa é minha primeira recomendação.

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Pâmela Freitas é jornalista formada pela Ufac, pós-graduanda em Jornalismo Digital pela Unyleya, e repórter no site Agazeta.net

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