O sol é para todos: história de gente grande contada por uma criança

O sol é para todos ganhou o Prêmio Pulitzer em 1961 e deu origem a um filme homônimo, vencedor do Oscar de melhor roteiro adaptado, em 1962. Lançado pela primeira vez em 1960, até hoje vende mais de um milhão de cópias por ano em língua inglesa. Um dos maiores clássicos da literatura mundial.

Confesso que o livro de Harper Lee estava na grande lista de livros para comprar e ler que eu tenho, mas não estava dentro das prioridades de leitura. Não sei vocês, mas além da lista de livros tenho dentro dela uma lista de prioridades, que, no atualmente momento em que vivo, são compostos por livros de mulheres fora da Europa e dos Estados Unidos.

Porém, no último Natal, quando esta coluna ainda caminhava com muita timidez, meu namorado – beijo amor – disse que me daria um presente que me ajudaria no trabalho. Inicialmente achei que ele falava do jornalismo e me daria coisas de papelaria. É comum esse tipo de presente para jornalistas. Canetas, cadernos, bloquinhos, e afins.

Na verdade, quando ele falava do meu trabalho, e sem especificar, ele falava desta coluna. Foi quando ele chegou com o livro e disse que eu iria adorar, que ele tinha pesquisado bastante sobre e que achou que era um tema que me agradasse ler, estudar e pesquisar.

Ele estava certíssimo…

O livro não é de uma leitura difícil, mas é preciso estar atento a algumas informações que são ditas no decorrer da obra para que melhore a compreensão do livro. O começo não tem exatamente um gancho que te prenda, ou uma história inicial envolvente. Funciona mais como um esboço das memórias de vida da pequena Jean Louise Finch, ou Scout, como é chamada, de apenas 6 anos.

Uma história sobre raça e classe, inocência e justiça, hipocrisia e heroísmo, tradição e transformação conta por uma criança. Scout é filha do advogado Atticus Finch, responsável pela defesa de um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca no início dos anos 1930, no Alabama, Estados Unidos.

No decorrer do livro, acompanhamos a rotina de um ambiente rural e pacato, as férias de verão com o irmão, Jem, e o melhor amigo deles, Dill, a curiosidade das crianças com os vizinhos, as travessuras comuns da idade, as aventuras na escola e a vida em família, por três anos.

Recentemente, pesquisando sobre o livro e a autora, achei a seguinte frase: “O sol é para todos é uma história de gente grande contada por uma criança”. E acredito que seja a melhor definição. Porque é exatamente isso! É um livro para se ler de novo, e de novo, mais uma vez, e sempre reler…

Para ajudar a entender o que digo, separei dois trechos retirados do livro que gostaria de compartilhar com vocês:

“Atticus disse que quem tinha diploma estava pobre por que quem vivia da terra também estava” – p. 32

“Os senhores sabem a verdade: alguns negros mentem, alguns negros são imorais, alguns negros não merecem a confiança de ficar perto das mulheres, sejam elas brancas ou negras. Mas essa verdade se aplica à raça humana, sem distinção” – p. 254 

Vocês podem mandar críticas, sugestões e mensagens pelo e-mail freitas.pamelarocha@gmail.com

Pâmela Freitas é jornalista formada pela Ufac, pós-graduada em Jornalismo Digital pela Unyleya e repórter no site Agazeta.net

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