Quarta-Feira, 05 de Agosto de 2020
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Acre tem duas representantes no Miss Cadeirante 2020

180620-naliny-miss-cadeirante-2020"A mulher cadeirante tem a sua beleza", destaca Naliny

Realizado desde 2017, o Miss Cadeirante está em sua quarta edição no Brasil. Dessa vez terá a participação de duas acreanas concorrendo ao título.

Naliny Arantes, servidora pública, é uma das participantes. Cadeirante há 10 anos, em decorrência de uma doença genética neuromuscular, a jornalista acredita que não existe um padrão de beleza a ser seguido.

"As pessoas são bonitas dentro das suas diferenças. E a mulher cadeirante também tem a sua beleza. Por trás de uma cadeira de rodas existe uma pessoa com sentimentos, desejos, sonhos, vontades, vaidades e escolhas pessoais", afirma Arantes.

Ao todo, 321 mulheres cadeirantes de todos os cantos do país se inscreveram para participar do concurso, mas apenas 156 foram selecionadas. "Não conhecia o concurso. Um velho amigo do Espírito Santo escolheu minhas fotos e pediu que eu me inscrevesse", conta Naliny.

Por causa da pandemia do novo coronavírus, a escolha da miss acontecerá de forma remota no próximo dia 30. Além do título, a vencedora ganhará roupas, maquiagem e diárias para dois dias em um hotel no Rio de Janeiro.

"Mais do que ganhar uma faixa, prêmios e uma coroa, este concurso da Lú Rufino é para conscientizar a sociedade sobre a beleza e a importância da mulher com deficiência. Esses concursos servem para tornar a sociedade mais informada em relação a temática da igualdade social das pessoa com deficiência", destaca Arantes.

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Deficiência física e acessibilidade

Segundo o último censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 45 milhões de brasileiros sofrem de algum tipo de deficiência física. Ainda segundo a instituição, em todo o Brasil, apenas 4,7% das calçadas são acessíveis para pessoas com deficiência física.

Quando pensamos em mobilidade urbana pensamos na facilidade do deslocamento em uma cidade por meio de sua infraestrutura. Porém, quando pensamos em mobilidade urbana para cadeirantes precisamos considerar outros fatores, como: ruas e estabelecimentos com rampas de acesso, vias largas para tráfego e manobra nas cadeiras de rodas.

"Rio Branco não oferece nenhum tipo de acessibilidade para as pessoas com deficiência. Me dói muito dizer que a cidade é um lugar ruim para um cadeirante morar. Não nos oferece um espaço com total acessibilidade e independência", conta Naliny.

No Brasil, quem precisa usar cadeiras de rodas enfrenta inúmeros desafios para realização de tarefas cotidianas e na garantia de direitos básicos, como o de ir e vir, por exemplo.

"Na maioria das vezes, para não sair de casa, resolvo tudo pelo telefone ou aplicativos. Já quando preciso ir ao médico, por exemplo, dependo do meu pai para me levar. Em outras cidades onde já estive, como Brasília e Goiânia, eu pegava o transporte, sempre adaptado, e me sentia mais independente, me virava sozinha", afirma.

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