Quinta-Feira, 22 de Abril de 2021
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"Tudo o que nós, autistas e familiares, queremos é respeito e inclusão"

02-04-21-rauana-capaRauane Batalha e a filha foram dianosticadas com autismo

A técnica em assuntos educacionais, Rauana Batalha, recebeu o diagnóstico de autismo em abril de 2020, aos 34 anos, pouco tempo depois de receber o da filha, no início de 2019.

“Foi um choque, a princípio. Eu não tinha muitas informações sobre o Autismo, apenas estereótipos, mitos e preconceitos que envolvem o assunto. Vivi um bom tempo o luto que, aos poucos, deu lugar à luta por qualidade de vida e oportunidades de aprendizado por meio das terapias”, conta.

Já na época do diagnóstico de Rauana, ela lembra que todas as respostas de questões que a intrigavam, como o porquê de se sentir diferente, reagir de maneira singular, ter uma percepção de mundo que contrastava com a maioria das pessoas, foram sendo compreendidas, um marco libertador.

"A fé na neuroplasticidade do cérebro e o sucesso da intervenção precoce passaram a ser meus objetivos em relação à minha filha", afirma.

Apesar disso, mãe e filha, assim como as centenas de acreanos com autismo, enfrentam dificuldades na escassez de profissionais qualificados no estado.

"Na rede pública inexiste tratamento nos moldes adequados para o TEA [Transtorno do Espectro do Autismo]. Tive que acionar a justiça para que meu plano de saúde providenciasse as terapias da minha filha. É um processo desgastante que a maioria das famílias enfrenta".

As terapias são fundamentais para o tratamento, sejam elas comportamentais, educacionais ou mesmo familiares. Elas podem reduzir os sintomas, além de oferecer um pilar de apoio ao desenvolvimento e aprendizagem.

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“Para nós, é um salto enorme cada palavrinha pronunciada, cada olhar correspondido, cada atividade que a criança fez com autonomia, como se vestir ou usar o banheiro sozinha e corretamente”, destaca Rauana.

“São coisas simples, mas que se tornam extraordinárias para nós, mães atípicas, porque exige muito esforço conjunto, trabalho e tempo de espera”.

Dia Mundial de Conscientização do Autismo

A Organização das Nações Unidas (ONU) criou em dezembro de 2007 o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Comemorado nesta sexta-feira, 2 de abril, o dia tem como intuito ajudar a derrubar preconceitos e esclarecer a população acerca do assunto.

O autismo, transtorno do neurodesenvolvimento conhecido por Transtornos de Espectro Autista (TEA), afeta cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo. A falta de informação e conhecimento faz com que o preconceito só aumente.

“Tudo o que nós, autistas, e familiares de autistas queremos é respeito e inclusão. Como qualquer outra deficiência, as pessoas no espectro possuem limitações e potencialidades. Mas, antes de qualquer diagnóstico, precisamos lembrar à sociedade que estamos falando em primeiro lugar de pessoas”, conclui Rauana.

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