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19 de abril: “Hoje a luta é pela nossa sobrevivência”, afirma Puwe Puyanawa

19-04-21-puweSite Agazeta.net conversou com Puyanawas e Ashaninkas

O povo Puyanawa vive no município de Mâncio Lima, situado na fronteira com o Peru, com aproximadamente 670 pessoas - e quase foi exterminado há cerca de 120 anos.

“Nossa comunidade foi quase exterminada por causa da falta de conhecimento de muitos do passado, por causa dos coronéis, dos massacres e das correrias que ocorreram. Nossos homens e as mulheres puyanawas foram separados, sem poder viver juntos”, conta Puwe Puyanawa.

“Além disso, parte do extermínio ocorreu com o impaludismo, conhecido, hoje em dia, como malária, porque não tínhamos medicamentos e as pessoas não ligavam para o nosso problema, que era sério”, afirmou.

Obrigados a mudar seus hábitos, os homens foram obrigados a cortar seringa, enquanto as mulheres carregavam a borracha e cuidavam da roça.

A retomada cultural não tem sido fácil, mas nos últimos 20 anos o intercâmbio entre povos indígenas e não indígenas auxiliou os puyanawas. “Podemos citar os amigos nesse processo, como: o Benki e Moisés Piyãko, o povo Yawanawá e Huni Kui, e também parte de governos anteriores, e atuais, que nos ajudam nesse processo de retomada cultural”.

“Esperamos melhores dias com nossos territórios demarcados, protegidos - e não sendo destruídos. Esperamos que nossos representantes olhem com um olhar mais carinhoso para o que eles mesmos têm feito”, destacou Puwe.

Povo Ashaninka

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“O dia 19 de abril não tem muita representação para nós. É um dia como outro, de continuidade da luta pela existência e sobrevivência. Não temos comemorações especiais. Nossas datas mais representativas são aquelas que fazem parte de nossa história e de nossas conquistas”, é o que afirma Wewito Piyãko, residente na Aldeia Apiwtxa, na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, no município de Marechal Thaumaturgo.

Na comunidade de Wewito, localizada a sudoeste do Estado do Acre e que faz fronteira com o Peru, vivem cerca de 900 pessoas do povo Indígena Ashaninka, conhecidos por manter sua cultura e tradição bem preservadas.

“Nosso povo busca manter a cultura e a tradição valorizando os ensinamentos ancestrais, nossos rituais espirituais e de confraternização. Valorizando nossa língua, vestimentas, artesanatos, músicas e danças. Isso é realizado através da educação escolar, onde a alfabetização é realizada em nossa língua e continua assim até o 5° ano do ensino fundamental quando os estudantes passam a ser instruídos na língua portuguesa”, conta Wewito.

Os grupos indígenas vêm sendo alvo de descriminações ao longo de séculos no Brasil. Apesar do tema já ter evoluído bastante, segundo eles, ainda encontram esse elemento nas estruturas da sociedade. Sentem e ouvem que não tem capacidade de administrar nem mesmo suas próprias vidas.

“Até mesmo nosso presidente afirmou em público que somos um atraso, um empecilho ao desenvolvimento do país. Isso repercute negativamente em nossas relações mais próximas”, destacou Wewito Piyãko.

Hoje, o principal conflito dos Ashaninkas está sendo a construção de uma estrada junto à fronteira, pelo lado peruano. Um empreendimento que traz riscos pela presença de madeireiros, projetos de extração de petróleo e outros minérios, além de alguns elementos de exploração da natureza que são um risco a existência da cultura e de suas vidas.

"Já superamos muitas dificuldades, estas nunca faltam em nossa existência. As invasões por parte de caçadores, madeireiros e traficantes sempre representam ameaças. Ainda existem os grandes empreendimentos e o abandono do Estado brasileiro".

“Para os próximos anos, esperamos que o Estado brasileiro tenha mais respeito pela legislação nos pontos em que essa passa pela causa indígena, que as nomeações dos órgãos e autarquias que se relacionam com a causa indígena sejam de pessoas com histórico, além de técnico, de identificação com nossas lutas e que respeite nossos direitos garantidos”, conclui Wewito Ashaninka.

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Wewito Piyãko

Conheça os povos indígenas do Acre

Segundo dados da Comissão Pró-Índio do Acre, atualmente existem 15 etnias indígenas no estado. São elas: Huni Kui (Kaxinawa); Ashaninka; Yawanawa; Puyanawa; Noke Koi; Nukini; Nawa; Manchineri; Jaminawa Arara; Jaminawa; Kuntanawa; Shanenawa; Shawãdawa; Madijá; e Apolima Arara.

Os Huni Kui possuem cerca de 14 mil pessoas no Brasil pertencentes ao tronco linguístico Pano, vivendo nos municípios de Feijó, Tarauacá, Jordão, Marechal Thaumaturgo e Santa Rosa - todos no Acre e, além disso, existem indígenas dessa etnia vivendo no Peru.

Os Ashaninkas, no Brasil, vivem nos municípios de Santa Rosa, Feijó, Tarauacá, Jordão e Marechal Thaumaturgo, e são cerca de 3 mil pessoas pertencentes ao tronco linguístico Aruak. Já no Peru, o número de indígenas dessa etnia ultrapassa os 100 mil.

Os Yawanawas vivem em Tarauacá, no Acre, e são pouco mais de 1 mil indígenas. Eles são do tronco linguístico Pano. Os Puyanawas também pertencem ao mesmo tronco linguístico e vivem em Mâncio Lima com cerca de 660 pessoas.

Os indígenas Noke Ko’í, também conhecidos como Katukina, vivem nas cidades de Tarauacá e Cruzeiro do Sul, interior do Acre, pertencem ao tronco linguístico Pano e tem uma população de mais de 900 pessoas.

Em Mâncio Lima existem ainda os Nukini, do mesmo tronco linguístico Pano e com uma população de mais de 600 indígenas, e os Nawas, com quase 400 indígenas e também do tronco Pano. Vivendo em Assis Brasil e Sena Madureira estão os Manchineri, pertencentes ao tronco linguístico Aruak e com sua população em 1.100 pessoas.

Já os Jaminawas Arara vivem em Marechal Thaumaturgo e Cruzeiro do Sul com uma população de 500 pessoas e pertencem ao tronco linguístico Pano. Nesse mesmo tronco temos os Jaminawa, que moram nos municípios de Sena Madureira, Cruzeiro do Sul, Marechal Thaumaturgo e Assis Brasil, com uma população de 550 indígenas.

Com pouco mais de 100 pessoas, os Kuntanawas são do tronco linguístico Pano e vivem na Reserva Extrativista Alto Juruá, em Marechal Thaumaturgo. O povo Shanenawa só é encontrado no Acre. Com mais de dois mil indígenas vivendo em Feijó, falam um idioma oriundo do tronco linguístico Pano.

O povo Shawãdawa, também conhecido como Arara, são moradores dos municípios de Porto Walter, Tarauacá, Marechal Thaumaturgo e Jordão e possuem uma população de 550 pessoas pertencentes ao tronco linguístico Pano.

Os Madijás também são conhecidos como Kulinas e vivem em Feijó, Manoel Urbano e Santa Rosa. Com uma população de quase 1.500 pessoas, pertencem ao tronco linguístico Arawa.

Por fim, o povo Apolima Arara tem mais de 300 pessoas vivendo em Marechal Thaumaturgo. O tronco linguístico desse grupo indígena é o Pano.

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