Lideranças indígenas da etnia Huni Kuĩ (Kaxinawá) estão cobrando a prisão imediata de um homem de 40 anos suspeito de cometer violência sexual contra uma criança de 11 anos na aldeia Jacobina, localizada às margens do Rio Breu, em Marechal Thaumaturgo.
Segundo boletim de ocorrência registrado no dia 29 de maio, o principal suspeito é o agente de saúde indígena Ruinete Sereno Caxinauá. O caso provocou preocupação entre moradores da comunidade, que temem uma possível fuga do investigado e cobram maior proteção à vítima e aos familiares.
Em mensagens encaminhadas à reportagem por lideranças locais, integrantes da comunidade afirmam que a situação é grave e pedem celeridade das autoridades. O temor é que, diante da demora na expedição da ordem judicial, o suspeito consiga deixar a região.
De acordo com os relatos, ao descobrir que seria denunciado à polícia, o homem teria passado a ameaçar familiares da vítima. Diante da situação, a mãe da criança deixou a aldeia e seguiu até a sede de Marechal Thaumaturgo, onde registrou a ocorrência.
Mesmo após procurar a polícia, a família afirma ter continuado a sofrer intimidações. Segundo lideranças indígenas, dois adolescentes da mesma família permanecem na aldeia e existe receio de que eles também possam ser alvo de violência.
Pedido de prisão aguarda decisão judicial
A Polícia Civil solicitou a prisão do suspeito e encaminhou o pedido para a Justiça em Cruzeiro do Sul. Até o momento, no entanto, a ordem judicial ainda não havia sido expedida.
Caso a medida seja autorizada, o cumprimento poderá enfrentar dificuldades logísticas. A aldeia Jacobina fica em uma área remota do município e é cercada por extensa região de floresta, o que, segundo a polícia, pode dificultar a localização e captura do investigado.
Além disso, o suspeito é bastante conhecido na comunidade por atuar como agente de saúde indígena.
Falta de atendimento preocupa comunidade
Outro ponto que tem causado indignação entre as lideranças é a ausência de acompanhamento psicológico para a criança.
Segundo os relatos enviados à reportagem, até o momento a vítima recebeu apenas o atendimento relacionado ao registro da ocorrência e ainda não foi encaminhada para acompanhamento especializado.
As lideranças afirmam que o caso precisa ser tratado com urgência para garantir a segurança da criança e de seus familiares, além de assegurar o acesso aos serviços de proteção e assistência previstos em lei.
A Polícia Civil segue investigando o caso.



