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250 famílias continuam ameaçadas na Bolívia

Famílias acrianas vivem em clima de insegurança

Termina em dezembro deste ano o acordo firmado entre Brasil e Bolívia para a retirada de famílias que vivem em áreas rurais na faixa de 50 quilômetros a partir da fronteira do país vizinho.

Leis estabelecem que a propriedade neste perímetro deve pertencer, exclusivamente, aos bolivianos. Levantamentos apontaram que 554 famílias de brasileiros estão em situação irregular e devem deixar o local.

O clima é tenso e ameaças de expulsão das terras a qualquer momento é uma realidade que faz parte da rotina dessas pessoas. Desde 2009, o Incra iniciou o processo de assentamento. Até agora, mais de 300 propriedades foram distribuídas nos últimos cinco anos.

Nesta quinta-feira, 4, foi a vez de 20 famílias ganharem um pedaço de chão. Cada lote foi definido em sorteio. Seu Antônio Jerônimo é um dos contemplados. Ele está trocando os mil hectares que conseguiu na Bolívia por uma área de dez hectares no país onde nasceu.

“Essa troca não vai ser muito boa, mas eu não posso ficar lá dentro. Se dependesse de mim, eu não saía”, conta o agricultor que vive há 35 anos em solo boliviano.
As famílias foram assentadas em um fazenda desapropriada pelo Incra, no município de Capixaba. O local tem quase seis mil hectares. No novo endereço, seu Oliveira Marques tem uma convicção.

“Aqui no Brasil se você plantar um pé de açaí, ele vai ser seu e da sua família para o resto da vida. E lá na Bolívia é diferente. Aqui ninguém vai me intimidar”, enfatizou.
O Brasil tem até 31 de dezembro para assentar as famílias. Começa agora uma corrida contra o tempo. Faltam menos de quatro meses para o prazo terminar e cerca de 250 famílias ainda continuam na Bolívia e convivem com o futuro incerto.

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