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A difícil missão de manter as origens

Modernidade e tradição acompanham os Yawanawás

Um povo que não sabe ao certo quando surgiu. Mas que mantém vivo a tradição dos antepassados. A cultura dos Yawanawás ultrapassa os séculos e nunca fica velha. No quintal de casa, o índio Capacuru prepara cuidadosamente o rapé. Uma mistura de tabaco e tsunú, planta que não possui tradução para o português.

Não é qualquer um que pode manusear o rapé. É preciso ter, principalmente, equilíbrio espiritual. Para o homem branco, um pó medicinal capaz de curar várias doenças. E para os Yawanawás, sinônimo de energia.

Energia capaz de dar aos Yawanawás o poder da imortalidade. O pajé da aldeia chegou a incrível marca dos 100 anos de idade. Yawá está bastante lúcido, ele não abre mão de fazer os trabalhos espirituais e de curandeirismo. Além de orientar os mais jovens. Este ano, o festival celebrou a longevidade do índio centenário.

No terreiro, é grande o movimento de pessoas. Todos querem uma lembrança dos Yawanawás. Aqui elas vem em forma de colares, brincos e pulseiras. “Muito lindo”, diz uma turista francesa. Tudo é feito artesanalmente e com matéria-prima da floresta.

O povo da queixada escolheu o alto rio Gregório para habitar. A demarcação da terra veio, somente, na década de 80. Ao todo são 182 mil hectares de floresta preservada. O contato com os brancos trouxe a modernidade. A aldeia Nova Esperança tem energia elétrica, telefone e internet sem fio. Por outro lado, a interferência na cultura indígena tem seus pontos negativos.

Os Yawanawás aprenderam o português e deixaram de lado a língua primitiva. Há alguns anos, existe um esforço para reverter a situação. Quem visita o local tem a impressão que está em qualquer lugar, menos em uma aldeia. Os traços da vida urbana são predominantes.

Mesmo rodeado da modernidade, os guerreiros Yawanawás fazem história ao manter as origens. Eles não trocam o lugar onde vivem por nenhum outro. Afinal, esse é um presente do criador.

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