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A difícil rotina de quem precisa andar de ônibus em Rio Branco

Troco e insegurança no terminal são algumas das reclamações

Qual usuário do transporte coletivo de Rio Branco não tem, pelo menos, uma reclamação a fazer? Todos os dias, milhares de pessoas utilizam o ônibus como principal meio de transporte.

Construído nos anos 90, o terminal urbano de Rio Branco é o ponto de chegadas e partidas para os mais diversos locais da cidade. Pelo local circulam, diariamente, mais de 50 mil pessoas. Nesse vai e vem de passageiros, não é difícil encontrar reclamações.

Entre as principais queixas: poucos ônibus, demora, desrespeito ao usuário, passagem cara, entre outros motivos. A reportagem de Agazeta.net decidiu embarcar com as pessoas que utilizam o serviço. Em fotos e vídeos, registramos a difícil missão de andar de ônibus na capital acreana.

Relato de viagem do repórter

Cheguei ao terminal urbano por volta das 17h40. No momento de pagar a passagem, enfrentei uma pequena fila. Paguei o preço da passagem com uma nota de cinco reais. Quando recebi o troco, percebi que faltavam dez centavos. O cobrador nada informou, afinal, a situação é comum e corriqueira. Reclamo e ele diz que não tem.

Apesar de ser um direito exigir o troco, não fiz questão do valor e segui adiante. Dentro do único terminal urbano de Rio Branco, construído na década de 1990, o movimento de pessoas e de ônibus é constante. Cerca de 60 mil pessoas utilizam o espaço para vir ao centro da capital acreana ou fazer a interligação com outros bairros.

Faço uma caminhada pelas três plataformas de embarque e desembarque de passageiros. Em cada local de parada dos ônibus, pessoas e mais pessoas estão no aguardo para seguir viagem. A maioria delas é formada por trabalhadores, que após um dia intenso de serviço só desejam chegar em casa.

Enquanto isso, converso com algumas pessoas. Procuro saber a opinião sobre o serviço de transporte público oferecido. Os relatos são bem parecidos e até surpreendentes. Escutei um jovem que foi dispensado do trabalho duas vezes na última semana por causa do atraso. Ele disse que os ônibus demoram muito. A forma que ele encontrou para não ser demitido foi ‘madrugar’ no terminal.

Durante um embarque do ônibus que faz a linha Sobral, presenciei uma cena inusitada. A aglomeração de pessoas era grande. Quando o coletivo chegou, em questão de segundos, ele logo estava lotado. Vi uma mulher que desistiu de entrar. Fui saber o motivo. Ela disse que estava indo para casa após um dia exaustivo de trabalho. A senhora passa o dia em pé. A mulher relata que está grávida e não aguentaria seguir viagem. Pergunto sobre a vaga destinada a gestantes, ela logo respondeu que ninguém respeita as cadeiras especiais. A mulher fala que vai esperar o próximo ônibus na esperança de ele estar menos lotado.

O início da noite é um dos momentos de maior movimentação no terminal urbano. No chamado horário de pico, não faltam reclamações. O pedido é sempre o mesmo: mais ônibus para atender a demanda, cada vez maior. Às 18h30, decido qual linha vou embarcar. Segui viagem pelo Tancredo Neves. As dificuldades iniciam logo na entrada. Fui um dos últimos e tive que me acomodar em pé, ali no ‘imprensado’.

Dentro do coletivo, rapidamente o corpo fica suado. O calor é grande, mesmo à noite. O único sistema de refrigeração é o vento que entra pela janela. A cada parada nos semáforos, a situação piorava mais. Pelo caminho, mais gente embarcava e poucos desciam. Após verificar a lotação, uma senhora desistiu de entrar. Preferiu esperar a próxima condução.

Durante o trajeto, barulho, apenas do motor. Os passageiros seguem em silêncio. Aguentam calados o sistema de transporte oferecido. Somente quando estamos nas proximidades do Tancredo Neves é que o ônibus começa a esvaziar. Com as pernas e braços cansados, resolvo sentar. Foi assim, até a parada final.

Converso com o motorista. Procuro saber a visão dele em relação ao sistema público de transporte coletivo. O homem fez um desabafo. Disse que o serviço não é dos melhores por vários motivos. Ele informou que trabalha sob pressão. É preciso obedecer o tempo estipulado nas viagens, a jornada é cansativa, o salário é baixo e o condutor ainda disse que muitos usuários são mal educados. É preciso contar com a paciência. Este é apenas um relato diário vivido por milhares de pessoas todos os dias.
 
A bronca do usuário do transporte coletivo

“No Vila Acre, a gente fica escorado nas pessoas igual sardinha. Todo dia é assim”, Mateus Marques, auxiliar de escritório.

“Deixe de pegar o Sobral porque ele estava lotado. Estou grávida e não posso ficar em pé por muito tempo, se eu for, desmaio”, Maria Gercinete, vendedora

“Estava em pé com meu filho no colo quando o motorista parou de uma vez. Só não cai porque me seguraram”, Ana Carolina Oliveira, dona de casa

“No Jacarandá, só tem dois ônibus. Estou a mais de uma hora esperando. Passam todos os ônibus, menos o meu”, Keyson Souza, mecânico.

“Tem que ter mais ônibus. Vai muita gente em pé. Esses dias, uma senhora ficou imprensada na porta. Aqui no terminal, já roubaram um celular meu”, Maria Deuza, dona de casa.

“Transtorno é muito grande. Tem ônibus que a gente não consegue entrar dentro. Deveria ter ônibus reserva no horário de pico”, Ribamar Lustosa, autônomo.

O que precisa melhorar?

A reportagem de Agazeta.net fez este questionamento aos usuários do sistema público. Foram cinco apontamentos que a população citou:

1ª – Mais ônibus: o pedido é unânime entre os passageiros. Todos acreditam que a frota é pequena para tantos usuários, principalmente nos horários de maior movimentação. Outra queixa é o estado dos veículos. Alguns são velhos e neste período de chuvas constantes, a água invade o interior do ônibus.

2ª – Mais educação de motoristas e cobradores: outro alvo comum de reclamações. Os relatos são os mais diversos. Desde o motorista que dirige em alta velocidade, freia bruscamente e não para em alguns pontos ao cobrador que, muitas vezes, está mal humorado e não presta informações aos passageiros.

3ª – Insegurança no terminal urbano: a grande aglomeração de pessoas facilita a ação de criminosos. O momento do embarque é ponto de maior vulnerabilidade. Com o tumulto, os ladrões aproveitam para roubar carteiras e, principalmente, celulares. Existe policiamento, mas segundo os usuários, ainda ineficiente.

4ª – Preço da passagem/troco: Atualmente, o preço pago pela viagem no transporte coletivo em Rio Branco é de R$ 2,40. Porém, para quem paga com dinheiro, o valor sai, muitas vezes, R$ 0,10 mais caro. Tudo por causa da falta de moedas para o troco. De acordo com os passageiros, a passagem paga na capital acreana é cara. O principal argumento é que muitos trechos são pequenos e a qualidade do serviço não é boa.

5ª – Paradas de ônibus: Em vários pontos da cidade não existem abrigos. Por causa disso, é preciso esperar o coletivo no sol e até mesmo na chuva. Caso contrário, o jeito é improvisar com, por exemplo, sombrinhas. Nos locais que possuem, a reclamação fica por conta da estrutura. Em algumas coberturas, a água penetra e molha os passageiros. Veja o Video.

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