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Aos 70 anos, seu Aldenor sonha em conseguir aposentadoria

A carga horária de serviço era de, no mínimo, 15 horas seguidas

1942. O mundo estava em plena Segunda Guerra Mundial. Da Amazônia, saia a borracha, essencial e decisiva para a vitória dos países Aliados. Naquele ano e na cidade de Cruzeiro do Sul, nascia Aldenor da Costa Souza.

Filho de cearense, aos 18 anos de idadde, herdeou a profissão do pai. Desde então, jamais largou a faca de cortar seringa. Ofício, que segundo ele, não é para qualque um. “A vida na mata é arriscada. Tem a cobra, a onça”, revela.

Seu Aldenador conta que só está vivo graças a ajuda de um antigo patrão. Certa vez, ele esteve cara a cara com um dos animais mais temidos da floresta, a onça pintada. “A espingarda não funcionou de jeito nenhum. E eu não estava com nenhuma faca na cintura”, lembra.

A única e desesperadora alternativa era correr. Por sorte, o dono do seringal viu a cena e tratou de espantar o bicho. “Pulei dentro de um igarapé e fiquei esperando o que ia acontecer”, fala o seringueiro.

Há 21 anos, o cruzeirense vive em Rio Branco. Mesmo na cidade grande, seu Aldenor não largou o ofício. Ele é responsável pela retirada do látex do único seringal urbano do mundo: o parque Capitão Ciriaco. Diariamente, o homem faz o corte nas mais de 300 árvores do local.

O dia começa cedo para seu Aldenor. No máximo às 3h da manhã ele já está de pé. Rotina que não abre mão de forma alguma. Desde jovem está acostumado nesse ritmo de seringueiro. A carga horária de serviço era de, no mínimo, 15 horas seguidas.

“Criei meus 11 filhos cortando seringa”, expõe. Mesmo após tanto trabalho e aos 70 anos de idade, o seringueiro ainda está longe de conseguir a tão sonhada aposentadoria. “Dei entrada no INSS quando tinha 65 anos, mas ainda não deu certo”, enfatizou.

A força e o vigor não são como o de antes. Por isso, além de suprir as necessidades, a aposentadoria é um sonho. Sonho que poderia ser uma realidade há alguns anos.  “Velho, no Brasil, com a minha idade que não é aposentado só eu. Eu não sei o motivo”, desabafa.

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