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Lixões continuam sendo os maiores poluidores no Acre

Família mora em lixão de Plácido: comida junto a urubus

Apesar do impeditivo da lei, os lixões a céu aberto viraram regras no Acre. Apenas a Capital tem um aterro sanitário. No restante dos municípios, continuam a contaminação do solo, dos açudes e igarapés. Em alguns desses lixões, existem famílias morando que vivem do que catam do lixo.

Uma dessas famílias mora no lixão de Plácido de Castro, a 100 quilômetros de Rio Branco. O que é feio, podre e doentio para a maioria da população é sobrevivência para muitos.

Uma família só está comendo porque trocou a casa na cidade por um barraco improvisado no lixão. O casal Francisco e Francisca vive de juntar latas e garrafas peti.
O local de trabalho do casal e dos três filhos é fétido e rodeado de doenças.

O alimento é feito ao ar livre, na companhia das moscas e urubus. O resto de carne do almoço de ontem está guardado para o almoço de hoje. “Falta apenas esquentar”, disse Francisca de Souza. É ela quem cuida da cozinha e aproveita para mostrar o pouco alimento que tem, invadido pelas moscas.

Francisco disse que já procurou emprego, mas não conseguiu. “Eu não tinha outra saída. O jeito foi buscar um serviço no lixão. Aqui, consigo uma renda para sustentar minha família”, completou.

O lixão de Plácido de Castro gera uma cena comum no interior do Estado: montanhas de lixo que vão invadindo áreas verdes contaminando o solo e igarapés que ficam próximos.

Em Plácido de Castro, os produtores que moram vizinhos ao lixão denunciam que os açudes estão morrendo e apontam um igarapé com a água contaminada. O lixão fica à margem de um ramal, a 8 quilômetros de Plácido de Castro.

Nota-se que existem sulcos na terra nas laterais. Como é uma ladeira, em dias de chuva o chorume desce e vai para o igarapé que corta a região e abastece as casas os produtores rurais.

Apesar das denúncias e do apelo dos produtores, a prefeitura continua colocando o lixo no mesmo local. O responsável pela coleta de lixo do município, Sebastião dos Santos, disse que a prefeitura tem um projeto para a construção de um aterro controlado, mas falta dinheiro.

E, como não existe previsão para resolver o problema, o lixo vai continuar sendo jogado. São 8 mil quilos de lixo todos os dias. “Está faltando recursos (sic) para a gente construir o aterro, mas o projeto já está quase pronto. Quem sabe no ano que vem o prefeito consiga resolver esse problema”, explicou.

Os prefeitos tiveram quatro anos para por fim aos lixões. Esse era o prazo dado por uma lei federal. Desde o dia 3 de agosto, se o governo quiser, pode punir prefeitos por crime ambiental.

A lei prevê: perda de mandato, multa de até R$ 50 milhões e corte de verbas federais. No Acre, fora a Capital todos os municípios mantêm os lixões em situações ainda mais graves.

Em Senador Guiomard, o prefeito da cidade encontrou uma forma alternativa de reduzir o volume de lixo: está ateando fogo, o que aumenta ainda mais o crime ambiental. A fumaça tóxica é insuportável, e com a ajuda do vento vai a longas distâncias.

O lixo é jogado à margem da rodovia AC-40, bem junto de uma placa que pede aos motoristas para não jogarem lixo. A regra, pelo jeito, só não vale para a prefeitura. São vários os acidentes com urubus.

Sem querer gastar dinheiro para enterrar o lixo, a área onde os caminhões vão jogando os lixos vai e ampliando. Esse é o mapa da política de resíduos sólidos do no Acre, onde a lei foi jogada no lixo.

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