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Após sonho de ouvir, família enfrenta burocracia do TFD

Poder público não acompanha “espírito solidário”

No último domingo, 28, o Brasil acompanhou a história da Erlene Paiva e da Ana Cristina. Mãe e filha nasceram surdas. O professor Marivaldo de Paula não se conformou com a situação. Foi a partir de uma foto postada na internet que a história das duas começou a mudar.

“Foi um desespero meu de colocar a foto e perguntar se a minha filha tinha o direito de ouvir. Eu tenho a certeza que ela tem esse direito. Valeu muito a pena, as pessoas nos ajudaram e, hoje, o resultado está aí”, declarou.

Em Campinas, interior de São Paulo, Erlene e Ana Cristina passaram por uma cirurgia para implantação do chamado ouvido biônico. Foram sete longos dias de espera até o momento mais aguardo. A emocionante ativação do aparelho foi acompanhada pela equipe do ‘Domingo Show’, da TV Record.

Há exatos 14 dias, as duas, praticamente, nasceram de novo. Deixaram aquele mundo de silêncio, para descobrir os sons da vida. Erlene foi às lágrimas quando ouviu o som que o cabelo faz.

“Eu passei a mão e vi que meu cabelo fazia um som. Ouvi os fios se levantando e não sei explicar direito. Eu me emocionei bastante”, lembra a dona de casa. E já existem alguns barulhos que incomodam os ouvidos da Erlene. O plástico é um deles. “Parece que está acabando com tudo. Não gostei desse som”, revela.

O sonho da Ana Cristina se transformou em realidade. Agora, a menina está na fase de adaptação. No fim de outubro, mãe e filha precisam retornar a São Paulo para uma avaliação. Mas a viagem ainda não confirmada pelo TFD, o Tratamento Fora de Domicílio.

Marivaldo sabe que as dificuldades não terminaram. Ele acionou a secretaria de Saúde na justiça. “A gente quer que a Sesacre se sensibilize com o caso, não só com esse, mas com outros também. É uma qualidade de vida e qual o motivo para não fazer e cuidar melhor desta parte?”, questionou.

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