Cinthia-Alves

Artigo da Semana: Logística de produção

Por Antônia Cinthia de Sousa Alves e Pollyana Rufino de Souza

A logística ganhou muito espaço e atualmente é um assunto vital para as empresas, pois compõe grande parte do total das atividades nela existentes, sendo responsável pela integração entre departamentos, fornecedores e clientes, bem como para a obtenção de resultados eficazes através de planejamento, organização e controle. Assim, o objetivo geral deste estudo é analisar a importância da logística de produção para as empresas e como problema identificar como os erros logísticos de produção podem afetá-las. Os objetivos específicos baseiam-se na análise do posicionamento de algumas das principais atividades logísticas de produção e em identificar os erros logísticos de produção mais comuns e suas implicações na empresa.

Ao falarmos em logística podemos imaginar que ela já vinha sendo usada desde as primeiras organizações de comunidades humanas, pois essas precisavam escolher aonde iriam instalar-se. Essa decisão dependia de locais que lhe oferecessem o mais fácil acesso aos alimentos, também a água e a um ambiente que lhes oferecesse uma maior segurança.
Para alguns escritores, a logística já existe desde os tempos bíblicos em que as civilizações existentes faziam uso de suas estratégias para conseguirem uma forma mais confortável e segura de acomodação, um exemplo disto podem ser as pirâmides e os templos antigos que foram construídos por esses povos.
Porém, quem verdadeiramente ficou marcado pela utilização de seus atributos foram os líderes militares, eles usavam os conceitos logísticos para a articulação dos combates. O objetivo logístico daquela época era em prol das conquistas de terras, pelas quais eram feitos os combates. E esses combates exigiam um enorme preparo de toda a equipe, eram grandes as mobilizações de um lugar a outro, e era necessário que se transportasse tudo o que era usado durante a guerra como as armas, as munições, os combustíveis, os medicamentos, os alimentos e os homens.
Mas a logística teve a sua primeira tentativa de conceito mesmo pelo Barão Antoine Henri de Jomini (1779-1869), que foi general do exército francês, na época comandado por Napoleão Bonaparte. O Barão conceituou a logística como uma arte de movimentar exércitos, ele chegou a afirmar que a logística é tudo ou quase tudo no campo das atividades militares, exceto o combate. Durante o século dezessete, existia um posto no exército francês chamado de Marechal des Logis que era responsável pelas atividades administrativas relacionadas aos deslocamentos e alojamento das tropas, e então, na opinião do Barão, a origem do termo logística derivou-se do vocábulo logistique em francês (MUSETTI, 1996).
Desde o seu surgimento até os dias atuais, a logística tem evoluído numa proporção consideravelmente grande e exercido uma forte influência na economia mundial, e isso tem trazido ótimos resultados para as organizações, pois foi através do bom desempenho da logística que a indústria e o comércio puderam provar de um crescimento verdadeiramente estruturado e constante. O que seria do avanço industrial sem a contribuição da logística nos processos decisórios da escolha das melhores e mais adequadas matérias-primas, na exigente qualidade de produção, na participação das vendas, no cuidado com a apresentação do produto, com o armazenamento, com a estocagem e com o transporte dos produtos acabados.
Neste contexto, observa-se que sempre existiu uma relação direta entre a evolução histórica mundial e a logística, ambas caminharam juntas, uma dando suporte e oportunidades à outra.

Para uma melhor atuação a logística subdivide-se em diversas áreas e dentre elas está a Logística de Produção, essa parte da logística consiste basicamente no planejamento e na execução de atividades voltadas à produção de algo, e foram as fábricas e as indústrias que deram origem a essa atividade, Mas o que é produzir? Produzir é o ato de transformar objetos constituídos para a derivação de outros conhecidos como insumos ou matéria-prima em um bem, objeto com intuito de servir a um determinado público. E este ato de transformação necessita de um processo sequencial de tarefas, essas tarefas têm início quando se toma conhecimento do que e do quanto será produzido.
O bom desempenho desse processo é essencial para o sucesso das empresas na economia de um mercado global. E ele envolve custos em cada uma de suas etapas, seja na compra de matéria-prima, na compra ou manutenção de máquinas, com funcionários, com sistemas de estocagem, com o processamento de pedidos e existem ainda outros custos que são gerados pelos erros de produção.
E a falta de um planejamento preciso e eficaz para a redução de custos, principalmente na produção, é uma das maiores falhas que levam muitas empresas a fecharem as suas portas (ROCHA, 2003).
Porém é errado pensar que as empresas devem desenvolver suas atividades logísticas de produção focalizando apenas a redução dos custos e visando os possíveis lucros resultantes dessas reduções. Na verdade, quando se trabalha bem o tempo gasto na produção com a intenção de também reduzi-lo, os resultados se elevam numa proporção muito mais satisfatória. Afinal, para o cliente não é só o preço que o satisfaz, mas também a rapidez com que o produto chega até ele e claro que tudo isso agregado à qualidade.
Vale ressaltar ainda que é praticamente impossível nos dias atuais falar em eficiência industrial sem associá-la à informatização. Os sistemas de informação armazenam e agrupam dados e relatórios importantes para o acompanhamento de tudo que envolve o processo de fabricação e que são regidos conforme as ordens e cronogramas estabelecidos pela programação de produção da empresa e que tem como papel fundamental organizar e controlar os fluxos de produção na intenção de que saia tudo conforme o planejado.
Aos processos contínuos de controle da produção e também das encomendas, dá-se o nome de PPCP (Planejamento, Programação e Controle da Produção), que é uma gestão informatizada desses recursos que auxilia a logística de produção, sendo um segmento da indústria automatizada, que trata da gestão e controle de mão de obra, materiais e informações no processo produtivo (CAVANHA FILHO, 2001).

Para que o processo produtivo de uma empresa alcance os objetivos almejados pela logística de produção, além de um excelente planejamento são necessárias instalações com uma adequada infraestrutura e desenvolvimento tecnológico de acordo com as necessidades da mesma, além de um bom gerenciamento de recursos humanos (CAVANHA FILHO, 2001).
Dentre as principais atividades da logística de produção estão:
· A análise dos valores, da qualidade e dos melhores fornecedores de matéria-prima para a aquisição das mesmas, sendo esta uma das maiores influenciadoras da qualidade do produto, a sua escolha exige um planejamento detalhado e específico, pois os fornecedores são peças-chaves determinantes para o bom funcionamento do processo, uma boa parceria pode ajudar a manter os trabalhos da empresa sempre em dia, já o contrário pode até causar danos irreparáveis à mesma, é preciso escolher bem.

· No ato da negociação para a aquisição da matéria-prima os prazos de entrega e as formas de pagamento são essenciais para o alinhamento dos trabalhos de produção. Sem matéria-prima não existe produtividade. Portanto, o planejamento de sua compra precisa estar sempre de acordo com as especificidades da negociação, daí é que vem a necessidade de se formar boas parcerias com fornecedores responsáveis.

· O recebimento, a conferência e a estocagem dessa matéria-prima é outro momento que exige muito controle. E para o exercício desta função deve-se exigir alguém preparado para todo esse acompanhamento sabendo identificar facilmente as especificidades da matéria negociada, tornando o momento da conferência um ato mais seguro que não venha causar transtornos à empresa. A estocagem deve obedecer aos padrões estabelecidos, pois o correto armazenamento evita perdas causadas por erros de empilhamento, de contaminações causadas por aproximação de produtos que deveriam estar separados, vencimentos, etc.

· A produção, o ato em si sem dúvida, é o que precisa de mais atenção. Embora, todas as partes são de vital importância e necessidade para a obtenção de um resultado satisfatório. É o momento em que estão em jogo todos os esforços feitos até ali para transformar os insumos em um produto, além das expectativas futuras para esse mesmo produto. Se houver falhas essas podem trazer danos de baixo ou alto impacto, que vão além de prejuízos materiais aos prejuízos de tempo, impossibilitando em alguns casos o cumprimento de prazos para a entrega de pedidos e a perda de mercado para os concorrentes.

· A armazenagem dos produtos acabados também deve atender a todos os critérios determinados para cada produto, o seu controle é fundamental, afinal estoque representa dinheiro, ou seja, capital investido e parado, por isso devem ser rigorosamente respeitados os níveis estabelecidos pela empresa. Além disso, os produtos acabados necessitam de uma armazenagem mais delicada, dentre outros motivos um dos mais importantes é para que não danifiquem suas embalagens sendo elas responsáveis pelo primeiro contato físico e visual com o cliente, e embalagens danificadas certamente serão mal vistas e, provavelmente, associadas a produtos estragados ou envelhecidos, sendo assim facilmente descartadas pelo mercado. Outro aspecto relevante é o da localização de fácil acesso, é importante que os produtos possam ser facilmente identificados na hora do carregamento para serem transportados, evitando assim perda de tempo e entregas de pedidos trocados.

· O processamento de pedidos de clientes. Ao longo dos anos os clientes foram adquirindo uma força maior de influência sobre o mercado, hoje essa força é capaz de determinar o prazo de validade de aceitação de um produto. Por isso, agradar ao cliente tornou-se prioridade, e para que essa prioridade tenha as suas expectativas atendidas, o processamento de pedidos deve obedecer aos critérios de quantidade, de especificidades dos produtos pedidos, de qualidade, de preços acessíveis e principalmente de prazos. Os pedidos também devem trazer consigo informações precisas, sendo preenchidos corretamente. Se o processamento de pedidos de uma empresa for falho, ele trará como retorno uma situação extremamente crítica gerada pelas inúmeras insatisfações dos clientes, e não satisfazê-los certamente não está entre os desejos de nenhuma empresa.

O bom gerenciamento da logística de produção pode proporcionar uma fonte contínua de vantagens competitivas com uma duradoura posição de superioridade sobre os concorrentes no que diz respeito às preferências dos clientes, ou melhor, a fidelização do cliente (DIAS, M. 1993).

É perceptível quando o planejamento da logística de produção não está funcionando da maneira correta, pois podem ser verificadas falhas e rupturas durante o processo de fabricação que podem ser facilmente identificadas através da baixa produtividade, da falta de matéria-prima, de qualidade comprometida do produto acabado, de ordens de produção desencontradas e ociosidade no setor produtivo, de custos além dos programados, de falta de produtos acabados nos armazéns de estocagem, e outros fatores determinantes desses erros que afetaram a empresa em diversos níveis, principalmente no setor financeiro e na relação com o ambiente externo da empresa.

A falha em qualquer uma das atividades desequilibra todo o sistema da empresa como vendas, atrasos na produção e também nas entregas e no cumprimento de prazos induzindo possíveis perdas de mercado.

Qualquer atividade produtiva, independente de um bom planejamento está suscetível a erros, mas é importante que eles sejam logo detectados e corrigidos para que não tomem proporções grandiosas que venham a afetar de modo direto todo ou parte do fluxo de produção e as suas consequências venham a abranger outros setores da empresa também, ocasionando sérios transtornos tanto interna quanto externamente (CAVANHA FILHO, 2001).

Portanto a produção é um processo que exige controle e disponibilidade dos meios necessários para um bom resultado. Estes meios vão dentre outros, desde os equipamentos e máquinas até a mão-de-obra humana e a matéria-prima. Quaisquer falhas existentes acabam desequilibrando todo o sistema da empresa, como por exemplo, as vendas, as entregas de pedidos, o relacionamento com os clientes e fornecedores e a imagem da empresa perante o mercado.
A logística de produção é uma importante geradora de valores e por isso tem sido o foco das indústrias nos últimos anos, pois elas têm procurado manter a ênfase no aumento da eficiência e da otimização dos processos produtivos baseados na redução de custos e de tempo, e resultando em qualidade e lucros (ROCHA, 2003).
Mas, quanto custa para as indústrias os erros logísticos na produção? É possível calculá-los, e cada empresa possui as suas técnicas para isso, afinal faz parte do planejamento prever possíveis falhas em qualquer de suas partes envolvidas. O importante é ressaltar que os erros resumem-se em prejuízos tanto financeiros quanto morais para a empresa, e as suas consequências podem ser medidas de acordo com a proporção dos mesmos. Porém, em se tratando especificamente da indústria, os prejuízos se dão em vários ângulos, e os principais custos a serem pagos são: a queda de posicionamento da empresa no mercado, a perda de clientes, o aumento de custos nos processos produtivos, a queda de receita financeira e a interferência nas metas e objetivos a serem cumpridos.

Baseado no que foi abordado no desenvolvimento deste estudo, pode-se afirmar que qualquer indústria independente do seu tamanho e capacidade de produção necessita de um efetivo controle logístico de produção. Pois se entende que quanto maior a capacidade de organização dentro de uma empresa, melhores serão os seus resultados e isso consequentemente influenciará o seu posicionamento no mercado.
Conclui-se assim enfatizando a tamanha importância dada aos processos logísticos que por sua vez, possuem um planejamento organizado, priorizando a qualidade de seus produtos e a sua aceitação. Mostrando assim, a sua responsabilidade com os clientes e a integridade da empresa mediante o mercado.

*Antônia Cinthia de Sousa Alves é graduada em Administração com habilitação em Comércio Exterior pela Faculdade da Amazônia Ocidental – FAAO (2012), estudante de pós-graduação em Gestão Estratégica de Pessoas peloCentro de Pós-Graduação – CPG / Uninorte. Pesquisadora bolsista (modalidade EXP) no CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. ALI – Agente Local de Inovação no SEBRAE-AC. Registro no CRA-AC Nº 0609.

*Pollyana Rufino de Souza é graduada em Administração com habilitação em Comércio Exterior pela Universidade Salgado de Oliveiro em Goiânia-GO (2002), especialista em Comércio Exterior e Negócios Internacionais pelo Instituto Nacional de Pós Graduação – INPG de São José do Rio Preto (2004). Registro no CRA -AC Nº 0102.

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