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Auditoria aponta irregularidades no Santa Juliana

De 30 itens analisados, os auditores encontraram problemas em 15

 

Uma auditoria do Ministério da Saúde, realizada em outubro do ano passado, constatou uma série de irregularidades na maternidade do Hospital Santa Juliana. De 30 itens analisados, os auditores encontraram problemas em 15. Alguns desses itens considerados pela auditoria  como “não conforme”, traz preocupação.

Em um deles, os auditores apontam que o serviço de obstetrícia utiliza dois procedimentos contrários a segurança na assistência ao parto, e não oferece a gestante a chance de ela escolher qual posição quer o parto. Em outro item, denuncia que não há continuidade ao recém-nascido após a alta quando sai da UTI neonatal.
Durante o levantamento dos dados foi notado a falta de atividades de educação permanente ao parto e ao nascimento, e até falta de alojamentos ou locais sem condições adequadas.
Foi identificado que o resumo da alta do recém-nascido que ficou internado não chega até os pais ou responsável. Há apenas uma prescrição médica, os pais nunca vão saber detalhes dos procedimentos com o filho. O que, no futuro, pode até tirar a responsabilidade do hospital, caso, os pais, encontrem alguma irregularidade.

Um dos fatos graves, apontado no relatório, é que, apesar das irregularidades encontradas pelos auditores, a direção do hospital teve um prazo para se defender, mas, preferiu calar-se, como se fosse um fato natural.
E para fechar o relatório os auditores apontaram que a maternidade do hospital não oferece condições apropriadas para cumprir as metas do Rede Cegonha, um programa do governo federal criado para reduzir a mortalidade infantil.
Para estar no programa, o hospital precisa seguir uma série de normas que vão desde a estrutura física, aos procedimentos nos partos.

AUTORIDADES E O SILÊNCIO

O relatório do Ministério da Saúde foi enviado a Secretaria Estadual de Saúde, que mantém convênios com o Santa Juliana e faz os repasses que vem do SUS. A secretária Sueli Melo, através de sua assessoria, informou que não falaria sobre o assunto.

Cópia da auditoria também foi parar no Conselho Estadual de Saúde, que funciona no mesmo prédio da Secretaria de Saúde. A entidade tem a obrigação de fiscalizar os recursos do SUS e o atendimentos dos hospitais e serviços oferecidos. Desde o dia 3 de janeiro, o presidente do conselho tem em mãos o relatório dos auditores.
Já o promotor Glaúcio Oshiro, da coordenadoria de saúde e cidadania do Ministério Público Estadual, não quer saber de esperar. Vai abrir um inquérito civil para saber detalhes do levantamento dos auditores, e verificar se o hospital tomou algumas medidas para reverter a situação. A primeira etapa será chamar o Conselho Estadual de Saúde para saber porque o MPE não foi informado sobre a auditoria.

A administração do hospital, que é de responsabilidade de uma empresa privada, a Pró-Saúde, informou que todos os itens levantados pelos auditores que não estão em conformidade já estão sendo modificados e melhorados. O diretor administrativo, Rafael Bonfada, disse que foi criado um plano de ação. Inclusive, nos levou a uma sala, que segundo ele, será a ala de partos normais. Além do ambiente humanizado, as salas vão resolver o problema da falta de leitos, e lá, a mulher vai poder escolher a posição do parto. Explicou, ainda, que todos os itens já foram revistos e muitos já foram resolvidos.

 

OUTRAS RECLAMAÇÕES

No hospital Santa Juliana existem várias portas de entrada. Duas delas em forma de torres funcionam clínicas e laboratórios particulares. Existe uma pequena recepção. Outra entrada é para apenas servidores e uma outra entrada para a lanchonete. O hospital não apresenta uma sala exclusiva para atendimentos emergenciais. Se acontecer algum acidente na frente do hospital, é mais fácil a direção da unidade chamar uma ambulância do Samu e levar o paciente para um hospital público.

Na área de saúde nada é barato, exames, consultas, e no Santa Juliana, até o estacionamento é pago. E lembrar que a unidade é uma entidade sem fins lucrativos.
O hospital está conveniado ao SUS, e recebe mensalmente dinheiro pelos serviços prestados a comunidade.Todos são pacientes enviados pelo Estado, que, sem condições para atender a demanda, busca as unidades conveniadas.

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