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Cadeirantes protestam contra falta de medicamentos

Instrumentos e cadeira de rodas também faltam

Entidade ligada à pessoa com deficiência protesta contra secretaria de saúde, fechando Terminal Urbano. A manifestação foi para chamar a atenção do governo à uma série de problemas na assistência à saúde dos deficientes do Estado, denunciando por exemplo, falta de cadeira de rodas e insumos básicos como fralda.

No final da tarde, os cadeirantes se uniram e bloquearam os acessos ao Terminal Urbano. Quem estava aguardando os coletivos nas plataformas saiu e se aglomerou no encontro das Avenidas Ceará e Brasil. O transtorno foi inevitável.

Quem organizou o protesto foi o Centro de apoio ao portador de deficiência física (Capedac), que justificou falta de assistência à saúde no Acre.

“Estamos há mais de 6 meses sem sondas, sem sacos coletores, que é um material que usamos (lesado medular) pra poder urinar, sem esse material adoecemos, pegamos infecção. Eu por exemplo, passei mais de 6 meses com infecção, bactéria na urina, correndo risco de morte, por conta desse material que está faltando”, explicou.

O protesto também chamou a atenção para promessas não cumpridas da secretaria de saúde que regularizaria a situação, após passado o tempo de crise.

“Mas aí a gente vê que o governo tem dinheiro suficiente para fazer o lago do amor, que custa R$ 2 milhões. Tem R$ 32 milhões para o museu, mas não tem dinheiro pra comprar cadeira de rodas, então a gente chegou ao nosso limite, passamos dois anos fazendo reunião com a Secretaria de saúde e sempre eles nos levando no banho Maria”, criticou Silva.

Com o microfone na mão, os manifestantes denunciaram uma série de problemas e também falta de material para atender pessoas com deficiência. Disseram por exemplo, que existem mais de 500 nomes na lista de espera da Oficina ortopédica do Estado, aguardando a entrega de cadeiras de rodas e de banho. Que faltam anda, muletas, próteses e material para cateterismo. Além disso, a entidade reclama da falta de fraldas geriátricas e infantis, suplementos alimentares para crianças.

“Estão tratando com descaso mesmo por que a gente precisa disso pra ter uma vida normal. Não está tendo acompanhamento médico, nada pra nós. Fralda, nada. Está um descaso. Nossa categoria está abandonada”, disse o cadeirante Arclei da Silva e Silva.

Cerca de 30 minutos após o bloqueio no Terminal, os cadeirantes e outros manifestantes se dirigiram ao gabinete civil. Segundo eles, queriam mesmo que por telefone, uma resposta do próprio governador.

O Governo do Acre afirmou que, em relação à falta de fraldas, a Secretaria de Estado de Saúde não irá fornecer por entender que é um produto de higiene pessoal. A assessoria da Secretaria de Estado de Saúde informou que está em fase de conclusão a licitação que trata da compra de coletores. A assessoria informou também que os insumos para a confecção das órteses e próteses chegaram, mas a empresa responsável pela venda mandou um tipo de borracha errada, o que deve atrasar na confecção dos produtos.

A Oficina Ortopédica espera que os fornecedores enviem as borrachas corretas agora no mês de janeiro. Sobre a falta de cadeira de rodas, a assessoria ficou de retornar com as informações nesta quarta-feira (10).

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