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Caminhões guincho cobram até R$ 400 por travessia em trechos alagados da BR 364

A água obrigou diversas famílias a saírem de casa

Transitar pela BR 364 durante a cheia histórica do rio que virou mar é sinônimo de aventura. Pelo caminho, uma placa avisa que a rodovia pode ser interditada a qualquer momento.

E nesse deserto de asfalto, por causa do pouco movimento de veículos, a reportagem de Agazeta.net avistou três homens. Dois peruanos e outro do Haiti.

Mesmo com o transporte de ônibus suspenso entre Rio Branco e Porto Velho, eles resolveram seguir em frente. Com poucos recursos e a mais de dois quilômetros do destino final, parte do trajeto foi realizado a pé.

“Gastei três mil dólares na viagem do Haiti ao Acre. Agora, só tenho trezentos reais para chegar a Curitiba”, revela Bidenson Monexant. Um percurso cheio de dificuldades. Os imigrantes tiveram que atravessar alguns metros com água próxima a cintura.

Não é só quem depende da rodovia, o único prejudicado nessa enchente recorde. A água obrigou diversas famílias a saírem de casa. “Espero que a água não suba mais. Ela já está no quintal e isso preocupa”, diz a dona de casa Marinalva Santos.

A balsa que liga o Acre ao restante do país opera no limite do limite. O rio cheio dificulta o embarque, desembarque e na própria travessia, por causa da forte correnteza.

José Luiz trabalha com embarcações há 25 anos. Nesse tempo, jamais tinha visto nada parecido com a cheia do rio madeira. “Segurança, segurança e segurança e o cuidado que a gente tem”, declarou.

O tráfego de veículos menores é possível sim, graças à ajuda de caminhões guinchos. Para contar com esse serviço, é preciso desembolsar entre R$ 350 e 400.

A BR apresenta seis pontos de alagamentos. A lâmina d’água, em alguns lugares, alcança 80 centímetros de profundidade. Ao todo, são 20 quilômetros totalmente encobertos.

Por precaução, o trânsito durante a noite está interrompido. Os trechos críticos são constantemente monitorados. Na última vistoria, a PRF decidiu manter o tráfego para caminhões e carretas.

O rio ainda não apresenta sinais de vazante. A previsão do tempo para os próximos dias é de mais chuvas. Segundo estimativas do Sistema de Proteção da Amazônia, Sipam, o nível do Madeira pode superar 19 metros.

Caso a estrada seja interditada de uma vez, além de ficar isolado por terra, o Acre corre o risco de desabastecimento de vários produtos, principalmente gêneros alimentícios.

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