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Casa do Caminho: resistência contra exclusão social

Organização mantida também com apoio da iniciativa privada

Casa do Caminho é o nome de uma instituição sem fins lucrativos que auxilia famílias de baixa renda. O espaço vai completar três anos com serviços de Assistência Social, Educação, Saúde, capacitação profissional, entre outros. Atualmente, cerca de 300 pessoas são atendidas.

Durante um período de 13 anos, nesta rua do bairro Montanhês, Marina Zago e um grupo de amigos distribuíram sopa para a comunidade. Mas, eles acharam pouco e resolveram ampliar as atividades até que surgiu a ideia de comprar um imóvel.

Foi fundada então, a casa do caminho, na mesma rua. Em setembro deste ano, ela completa três anos de existência prestando atendimentos de Assistência Social, Saúde, formação profissional e até atendimentos jurídicos.

Marina Zago é administradora de empresas, só que dedica maior parte do tempo em coordenar a casa e conseguir novos parceiros.

“Nós compramos essa casa por R$ 50 mil, e ao todo gastamos R$ 120 mil pra reformar. Foi devido à classe pecuarista, nos leilões, que nos ajudaram. A Uninorte com estagiários nos ajuda e maçonaria, nos ajudam. Todos que a gente pede, recebemos. Mas é importante saber que essa é uma casa que não é minha, sou fundadora, mas é da comunidade e que sem essas pessoas jamais eu teria chegado onde eu cheguei”, disse.

Entre os parceiros que se unem ao projeto estão os jovens da OAB.
“Geralmente é questão de família, com pensão alimentícia. É um trabalho gratificante. A gente traz um pouco da gente, mas saímos bem mais revigorados”, afirma o advogado Inayan Morais, integrante da equipe.

No dia a dia da casa do caminho, Marina se depara com muitas histórias de partir o coração, de pessoas que pela simplicidade desconhecem informações básicas, até aquelas que sofreram ou sofrem todo tipo de violência física ou psicológica. É um trabalho de assistência, mas também de ajudar a curar feridas de alma.

“As histórias são bastante dolorosas. Aqui nesses bairros vizinhos, são pessoas bastante vulneráveis, jovens sem perspectiva nenhuma, que não estão fazendo boas opções. A gente os escuta e tenta mostrar que existe outro caminho a não ser desse ociosidade”, explica.

Quem recebe todo esse acolhimento, agradece. “Significa muito, amor carinho, aqui tem tudo”, disse Fania de Castro. “Eu acho que o apoio é tanto na ajuda, quanto em ajudar a gente se colocar no lugar, como mulher, esposa. Sou muito grata por ter essa casa aqui”, disse Paula Nascimento.

No dia da sopa, as mães levam vasilhas para garantir o jantar da família. Tudo é muito generoso e preparado com higiene e capricho. A casa não remunera ninguém e tem 15 voluntários que se revezam nos 4 dias da semana de funcionamento.

Maria Dudé trabalha desde o início do projeto e é como uma gerente da casa. Para ela, a retribuição são os frutos que ela vê no dia a dia.

“Para mim é um grande prazer fazer parte desse programa por que tira pessoas da rua, pessoas que estão desempregadas. Fizemos cursos de artesanato, manicure, temos palestras. Ganhos parceiros, amigos, pra mim é um grande prazer”, disse.

O nome Casa do Caminho sugere interpretações, mas a explicação segundo Marina, é justamente a missão do projeto: acolher as famílias em todos os aspectos, conhecendo cada uma, depois capacitá-las, por exemplo com cursos profissionalizantes e encaminhá-las para outras possibilidades de vida.

“Nós temos pessoas talentosíssimas aqui dentro que descobrimos. E assim, ela será promovida com ser humano. Não ficar vinculada à bolsa, sacolão, nem sopa. Ela tem que ter um real valor. Por isso, ela é casa para encaminhar as pessoas”, explica.

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