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Casai: reflexo de um descaso

Carro para transporte de indígenas aos hospitais

Com a morte de sete crianças indígenas, somente neste mês de setembro (segundo a Secretária de Nacional de Saúde Indígena) nas aldeias de Santa Rosa do Purus percebe-se as falhas na condução da política indigenista no Acre.

Um dos lugares em que essas falhas se concretizam de forma evidente é na Casa de Saúde Indígena (Casai) sediada na Avenida Antônio da Rocha Viana. O local está bem localizado, mas sem a estrutura adequada para atender aos povos indígenas que buscam acolhimento enquanto realizam tratamento médico na Capital.

A Casai de perto assusta. Fica claro que o atendimento aos índios está comprometido. São apenas oito alojamentos para cerca de 80 pessoas de diversas etnias. O calor é intenso. O ar parece raro no ambiente. Os dois ventiladores para cada quarto não são suficientes.

Uma mãe que está acompanhando o filho pré-adolescente não tinha local onde dormir. Está há cinco meses dormindo no chão. Há relatos de muitos acompanhantes que chegam para auxiliar parentes doentes que acabam também ficando doentes, sujeitos a toda sorte de infecção.

Nos alojamentos, roupas penduradas pelos cantos e colchões no chão. Uma pequena área que estava improvisada com lona está totalmente destruída. Era onde se fazia um pouco de sombra.

O líder indígena Edivaldo Kashinawá pede mais apoio por parte da Sesai. “A Sesai diz que temos dinheiro, mas não vemos esse dinheiro, pra onde vai? Nós queremos uma melhor estrutura”, exigiu.

O líder denunciou ainda a falta de água. Apesar de no local haver um poço artesiano, nesse período ele seca, e como a Saerb não manda água todo dia, têm dias que eles ficam sem água.

Sem água suficiente para a higiene, a situação fica ainda mais complicada. No momento em que a reportagem de AGazeta.Net chegou estavam terminando de lavar os banheiros. O mau cheiro tinha sido amenizado.

Outro problema apresentado pelos índios é a falta de veículos para auxiliar no transporte deles aos hospitais. Dos seis carros que a Casai dispõe, três estão sem uso, com pneus inutilizados. Os carros se estragam. O dinheiro público se estraga.

Fala Sesai_ O Coordenador em exercício da Sesai, Francisco Aildo falou em entrevista ao programa Gazeta Alerta que quatro equipes foram enviadas para dar apoio nas aldeias. Além disso, a secretaria está fazendo a distribuição de mil filtros para o tratamento da água, e assim diminuir os índices de contaminação por doenças transmitidas através da água.

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