Começa nesta terça-feira júri popular do policial federal acusado de matar estudante dentro de boate em Rio Branco

Victor Campelo é acusado de ser autor do disparo que matou o estudante Rafael Frota em fevereiro de 2016

Por Claudya Oliveira

O desejo de justiça da família de Rafael Chaves Frota pode ser alcançado depois de quase sete anos. O jovem foi ferido com um tiro na barriga enquanto estava em uma boate da de Rio Branco na madrugada de 2 de fevereiro de 2016, e não resistiu aos ferimentos.

O júri popular do policial federal Victor Manuel Fernandes Campelo, acusado de ser o autor do disparo, inicia nesta terça-feira (24), na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Rio Branco, localizado na Cidade da Justiça.

“Já tem seis anos e seis meses que esperamos por isso, e eu, particularmente, já estava meio desesperançosa, mas, Deus não falha, e enfim vai ter esse julgamento. Eu não sei se vai ser feita a justiça, mas, eu espero que sim”, diz Neide Chaves, mãe de Rafael.

A família resolveu deixar o Estado em 2021. Além da perda do filho mais novo, que resultou em problemas de saúde do pai, outra motivação seria a perseguição que sofriam por parte de policiais e pessoas próximas ao suspeito.

Victor Campelo teve a prisão em flagrante convertida em preventiva ainda na audiência de custódia. Em agosto de 2016 foi expedido o alvará de soltura que possibilitou o acusado a reassumir o trabalho na corporação da Polícia Federal em outro estado.

Neide Chaves e Rafael Frota Foto: arquivo pessoal/cedida

A defesa alegou legítima defesa no recurso apresentado ao Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), posteriormente negado. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também negou o pedido da defesa. Agora, o destino de Campelo está nas mãos dos sete jurados.

Na avaliação do Tribunal de Justiça, o julgamento deve se estender até a sexta-feira, dia 27 de janeiro, já que serão ouvidas cinco testemunhas de acusação e outras dez de defesa.

O rito do julgamento começa com a instrução do processo, depois segue com as oitivas das testemunhas de acusação, com perguntas do juiz Alesson Braz e do promotor Teotônio Rodrigues, advogados de defesa e jurados, e posteriormente a vez das oitivas das testemunhas de defesa, com a sequência de perguntas acima mencionado.

Em seguida acontece o interrogatório do réu, que precede a fase dos debates, divididas em uma hora e meia para a acusação e uma hora e meia para a defesa, uma hora para a réplica e uma hora para a tréplica. Por fim, a votação dos jurados e a sentença.

Apenas Neide veio assistir ao julgamento. Ela enfatiza que a possível sentença não vai trazer o filho de volta, mas significará um alívio para toda família. “Eu vou sentir que pelo menos a minha luta não foi em vão, porque eu lutei muito pra chegar até aqui, eu dei muito a minha cara a tapa”, finaliza.

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