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Como não cair no conto das pirâmides financeiras?

Rentabilidade além do que o mercado oferece é risco

Recentemente um grupo de pessoas denunciou uma nova pirâmide financeira, que pode ter causado prejuízo de quase R$ 40 milhões. Por que tantas pessoas ainda caem nesse tipo de golpe? O que uma pessoa que quer investir precisa evitar? Onde é seguro aplicar economias? O consultor financeiro Alex Barros recebeu nossa equipe e respondeu à essas perguntas.

A empresa R12 surgiu no Acre e em pouco mais de um ano, conseguiu cadastrar cerca de mil pessoas, que denunciam agora, terem caído em uma nova pirâmide financeira. A maior parte das vítimas é do Acre.

A promessa aos investidores era de um ganho mensal de 30% do valor investido. Pessoas chegaram a vender casas, carros, para aplicar no negócio que no início, por um período de um ano, pagou a todos os cadastrados.

Mas no mês de setembro, os escritórios fecharam as portas, o site ficou fora do ar e o presidente da empresa, Gerson Lima, desapareceu. Em um grupo de WhatsApp, o representante da empresa só aparece nos últimos dias para pedir desculpas e calma aos investidores.

O golpe teria rendido a Gerson Lima, presidente da R12 quase R$ 40 milhões. Ele aparecia nos eventos muito elegante, e apesar da aparência e do discurso frágeis ele conseguiu convencer muita gente, que cadastrou outros e outros.

Mas o que leva tantas pessoas ao engano da pirâmide financeira?

“Infelizmente nós brasileiros temos características básicas que são intrínsecas nossas que é a ganância e o imediatismo. Quando aparece um produto pra mim que oferece muito dinheiro em um curto espaço de tempo supre essa necessidade da ganância e do imediatismo. Tem que ficar de olho. Uma coisa que falamos sempre é que dinheiro não dá em árvores. O dinheiro é ganho através dos juros. O juro é o valor do dinheiro e do tempo e o tempo demora pra acontecer”, opina o corretor de bolsa, Alex Barros.

A pirâmide financeira já lesou muitas pessoas no país e no Acre marcou muitas famílias que conheceram o sabor da decepção com as meteóricas Telexfree e BBom, por exemplo. Mas outras empresas surgiram sob o argumento de marketing multinível e lesaram a população. Como diferenciar? O corretor de bolsa Alex Barros explica.

“Investimento errado é aquele que promete para o consumidor, para o cliente rentabilidade muito acima do que o mercado paga. O mercado financeiro tem um padrão de juros, uma regulamentação, um equilíbrio, um teto. Quando aparece algum investimento que promete a você um valor muito acima do normal já é pra ficar um pouco preocupado, de olho nesse investimento”, ressalta.

O consultor explica que em média, o ganho em renda fixa, que não oferece risco algum e é livre de imposto de renda é de 30% ao ano, ou seja, por mês, sobre um valor de R$ 100 mil o lucro é de R$ 3 mil. Bem diferente do que prometia a R 12, onde a pessoa, com esse mesmo valor aplicado, ganharia R$ 30 mil por mês.

A orientação para quem tem um recurso pra investir é avaliar bem o tempo em que o dinheiro ficará aplicado. O mercado financeiro dispõe de vários produtos.

“A primeira coisa: veja o prazo que você pode dispor desse dinheiro pra investir. Nós chamamos de horizonte de investimento. Se esse prazo for menos de um ano, eu oriento a poupança por que qualquer investimento acima disso você vai pagar administração e imposto de rende. Mas se vai investir mais de um ano, procure um banco, uma corretora, eu tenho certeza que será bem orientado”, finaliza.

 

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