Diretor da ADUFAC explica fim do indicativo de greve e critica PEC 206

“A gente não vai fugir da luta, a greve está no horizonte”

Durante o edição desta sexta-feira,27, do programa Gazeta Entrevista, o professor e diretor da Associação do(a)s Docentes da Universidade Federal do Acre (ADUFAC), João Lima, trouxe uma explicação sobre os motivos do indicativo de greve e o que levou a categoria a encerrar o movimento.

O professor explica que uma greve é um processo de luta e construção e que desde janeiro os servidores públicos protocolaram uma pauta no Ministério da Economia no Estado do Acre – GRA/AC e aguardavam uma sinalização do Governo para negociações.

Os motivos para greve é, além da reposição salarial de 19,99%, ser também contra a emenda constitucional e a PEC da reforma da previdência. Entretanto, uma greve precisa ser construída pelas categorias organizadas, e o processo de mobilização das categorias vinculadas às grandes centrais sindicais, indica a dificuldade que é essa mobilização das categorias para fazer uma greve unificada. De acordo com o diretor, só faz sentido uma greve quando todos os servidores estão inclusos, pois assim, ganham força.

O professor explica o atual cenário, que segundo ele “é difícil, a gente não tem um governo com que possa estabelecer o mínimo de tratativas. É um governo facista”, diz. O dia 23 de maio foi marcada como possível deflagração de greve; mas diante da conjuntura nacional, que são mais de sessenta e oito entidades vinculadas ao Sindicato, compareceram na reunião poucas destas entidades que aprovaram a greve.

O recuo vem para que se continue o processo de mobilização, e tentar ampliar em pelo menos, uma greve no setor da educação. “Uma greve unificada dos servidores públicos federais, ela está ficando cada vez mais difícil de construir”, explica.

Acontece que essa mobilização não é fácil de ser construída. Alguns sindicatos no Brasil realizaram assembleias e a dificuldade está em mobilizar os professores e professoras das Universidades Federais – UFs, que não realizaram o encontro, aderir a pauta de reposição, que no Governo Bolsonaro chegou a 20%.
“O difícil, Itaan, não é encontrar razões para a greve. Difícil é a gente encontrar colegas que se mobilizem para a greve”, fala.

Em relação à PEC 206, que propõe instituir a cobrança de mensalidade nas universidades públicas alterando os artigos 206 e 207 da Constituição Federal de 1988, que versam sobre os princípios e a autonomia universitária; o professor critica fortemente o atual Governo Federal, que segundo ele usa um argumento absurdo sobre as elites que frequentam a universidade pública.
“Itaan, eu vou lhe dizer uma coisa. Enquanto na universidade brasileira só entrava elite, ela era tratada a pão de ló. Depois que começou a entrar preto, pobre e favelado, começou a incomodar justamente a elite”.

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