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Drag queen acreana ganhará documentário curta-metragem

Filme conta a história de Ágata Power e fortalece arte drag

Um projeto desenvolvido pelo jornalista acreano Igor Martins, em parceria com o Território Criativo e o produtor cultural Luke Aragão, e financiado pela lei Aldir Blanc, vai produzir um curta-metragem contando a história da personagem Ágata Power, uma drag queen, criada pelo próprio comunicador.

O curta-metragem, que também é um documentário, vai discutir a vida do Igor e a chegada da Ágata, na intenção de ampliar a discussão e fortalecer a arte drag no Acre. “Pensamos, por que não fazer um projeto áudio visual contando um pouco da história da Ágata e falarmos sobre resistência e luta LGBT?”.

O projeto passou da fase de idealização e atualmente os organizadores estão reformando o formato, já que não foi possível realizar o curta nos padrões anteriores por causa da pandemia da covid-19. O documentário também passou por algumas etapas de testes e em breve iniciarão as filmagens.

“Provavelmente eu vá fazer quase tudo sozinho em casa, então, tem toda uma parte de logística que não é fácil de ser feita, e precisou de mais tempo para ser pensada e repensada”, conta Igor Martins.

O jornalista gostaria de poder fazer um lançamento físico, mas por causa covid-19 ele não sabe se isso será possível. Entretanto, o curta documentário será lançado nas plataformas digitais e está disponível para todo o público.

“Durante a quarentena acredito que eu aperfeiçoei muito o meu drag. Acho que eu me voltei muito mais para mim na pandemia. Foi uma válvula de escape para não enlouquecer durante esse momento, já que eu moro sozinho e têm todas essas questões sociais que não são muito fáceis”, destaca o jornalista.

Martins convida os interessados a seguir à página do filme na plataforma do Instagram, @agatapower.filme, e também informou que assim que as gravações iniciarem os bastidores serão publicados por lá.

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História da Ágata

Igor lembra que durante o processo de nascimento da Ágata, muitos nomes foram colocados, mas nenhum deles a representava tão bem. Até que em um dia, quando estava na casa de um amigo escutando música, ele ouviu a expressão “I got the power” que traduzindo para o português seria “Eu tenho o poder”. “É justamente o que transpira a minha drag queen. Esse poder e sensualidade. Então aí que veio o nome Ágata Power”, destaca.

“Eu me apresentava como Ágata em vários momentos. Trabalhava como discotecária, como hosters, recepcionista de eventos, e também me apresentava cantando. Gosto muito de cantar, nunca que eu me coloque como uma cantora profissional, mas eu gosto muito de cantar e já me apresentei algumas vezes cantando”.

Ele conta que a Ágata é a personificação de todas as mulheres fortes que fizeram parte direta ou indireta da vida dele. “A Ágata é uma persona que veio com toda a carga feminina que o Igor tem de representatividade. Eu costumo dizer que a Ágata, se ela puder ser de ser colocada em dois ou três adjetivos, seriam força, segurança e sensualidade”.

Para Igor, a força veio de sua mãe. “É em quem eu me inspiro pra ter força, e sempre tive. Minha mãe foi uma mulher que criou os filhos sozinha, na periferia de Rio Branco, dando a cara a bater”.

Já a segurança veio da irmã. “Um dos traços da personalidade da Ágata vem da minha irmã, que sempre foi uma mulher muito bonita e muito segura também, além de sensual”.

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Com a pandemia, a forma de apresentações artística de Ágata Power não tem ocorrido em eventos presenciais. “Hoje, especificamente, eu faço o que eu sempre fiz que é produzir conteúdo pra internet. Eu me monto para as pessoas que me acompanharem. Sempre faço alguma coisa, nem que seja um vídeo mais curto de transformação para as plataformas digitais”.

Drag queens vs transexuais

Muitas pessoas chegam a confundir drag queens com pessoas transexuais, mas elas são diferentes. As drags queens são artistas. A pessoa se traveste de mulher com a intenção de se produzir para uma arte, um show ou espetáculo. Enquanto a transexualidade é uma identidade de gênero que diverge do sexo físico biológico.

“As drags queens estão ali pelo espetáculo. Elas estão ali bem montadas, bem vestidas, bem arrumadas pelo espetáculo e pela arte. Enquanto as pessoas trans e travestis não, elas só querem ser elas serem elas mesmas e se sentirem bem com o seu próprio eu, com a sua imagem no espelho”, explica Martins.

Pessoas transexuais podem sim ser drag queens, da mesma forma que pessoas cis gênero também pode. Uma não impede a outra. Mas nem toda dran queen é uma pessoa transexual, e isso precisa ficar claro.

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